TIM Festival tem começo empolgante

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Publicado quinta-feira, 30 de outubro de 2003 as 23:40, por: cdb

Descontada a catarse dos instantes finais do show de Beth Gibbons, com guitarras distorcidas, efeitos eletrônicos e pancadas vigorosas na bateria, a primeira edição do TIM Festival, sucessor do Free Jazz, começou em tom leve.

Às 20h15 (com 15 minutos de atraso), o bandoneonista argentino Nestor Marconi assumiu o palco Club e deu início ao primeiro show, mostrando sua visão personalíssima do tango.

No fim, foi aplaudido de pé. Pouco depois, às 21h20, foi a vez da melancolia britânica de Beth Gibbons, no palco Stage, também consagrada por uma platéia empolgada. Marconi terminou sua apresentação, de 1h de duração, aplaudido de pé pelo público.

Com a missão de esquentar a platéia para o astro da noite no palco Club, o pianista americano McCoy Tyner, Marconi acabou sendo um aperitivo com sabor de prato principal. À frente de um quinteto que incluía, além do próprio Nestor, Oscar Giunta (contrabaixo), Esteban Fallabela (guitarra), Pablo Agri (violino) e Leonardo Marconi (piano) o virtuose impressionou com sua versão nada ortodoxa do tango.

Desde a abertura do show, com “Moda tango” (do próprio Marconi), o grupo salpicou pitadas de jazz em clássicos como “Adíos nonino” e “Milonga del angel”, ambas de Astor Piazzola. Nota: como aconteceu em anos anteriores, os artistas do palco Club continuam sendo prejudicados pelo som externo, desta vez dos DJs que animam o Village.

Beth Gibbons baseou seu show no único disco solo fora de sua banda, o Portishead. Loura de cabelos não tão curtos, incrivelmente parecida com Zizi Possi, ela cantou com suavidade a maior parte do tempo, mas soltou os agudos em “Tom the model”, revelando uam potência de voz que ficou escondida a maior parte do show.

Ela abriu com “Mysteries”, acompanhada por uma banda que manejava com maestria timbres delicados de piano elétrico, violino, bandolim acordeom. O público foi ao delírio o show inteiro. No final, dois jovens invadiram o palco.

O primeiro chegou em frente dela e fez reverências, o segundo partiu para um abraço que ela retribuiu, sem largar o inseparável cigarro. Do seu disco solo, ela deixou pouca coisa de fora, tocando “Rustin man”, “Drake”, “Resolve”, “Tom the Model”. No bis, ela mandou “Candy says” e “Show”.

O momento pesado dos quase 60 minutos de show veio em “Funny time of year”, quando a banda se soltou partindo para uma longa parte instrumental com solos cruzados, a bateria descendo a mão, muitos efeitos eletrônicos e a própria Beth pilotando um teclado.

Os aplausos entusiasmados arrebataram a cantora, que ficou cinco minutos agradecendo, sorrindo, pedindo desculpas pelo português, que teve apenas um ou dois obrigados e um “oi” num festival patrocinado pela TIM.

A platéia

A noite teve diversão garantida até mesmo para quem não quis ou não conseguiu comprar seu ingresso, cambistas cobram até R$150 para o show de k.d lang.

Concorridíssimo nos tempos de Free Jazz, o Village este ano tem entrada paga (R$ 10 para quem não tem ingresso para os shows) e oferece atrações como os bares 00, Guapo Loco, Devassa, Caroline Cafe e Partitura, além de música ambiente feita por DJs e apresentações musicais ao vivo.

Na tenda Som e Energia Petrobras, os visitantes podem deitar em gigantescos pufes para assistir a shows de grupos como Laskmão, Robertinho Silva e As Levadas, El Choque e Uakti. No Partitura, a trilha sonora é a dobradinha jazz e o blues, com as atrações Hamleto Stamato Trio, Flávio Guimarães Quarteto e Ozimoraes.