The Economist recomenda agilidade a Lula no campo econômico

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Publicado sexta-feira, 20 de dezembro de 2002 as 11:25, por: cdb

A revista britânica The Economist, em sua edição desta semana, afirma que 2002 foi um ano “horrível” para a América Latina. Segundo o Banco Mundial, o PIB da região vai encolher 1,1%, o pior resultado desde 1983. Após oito anos de declínio, a inflação está em alta. “A estagnação aumentou a pobreza, anulando alguns dos avanços dos anos 90”, disse a revista. “Esses problemas causaram descontentamento e turbulência política, fazendo surgir dúvidas sobre a saúde da democracia latino-americana.”

Segundo a The Economist, há um fator cíclico nessa crise. Mas a dependência da América Latina com as exportações de matéria prima e nos influxos de investimentos estrangeiros a torna mais “vulnerável do que a maioria dos países asiáticos quando a economia mundial se desacelera ou quando os investidores ficam cautelosos com o risco”.

A revista salientou que este ano foi particularmente difícil pela coincidência da moratória argentina ser sucedida por uma eleição presidencial no Brasil cujo resultado permaneceu incerto durante vários meses. Além disso, os conflitos políticos na Venezuela levaram a economia do país ao desastre e as guerrilhas e grupos paramilitares continuaram a prejudicar a recuperação econômica da Colômbia.

Ação rápida

“No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva tem se esforçado desde a sua vitória eleitoral em outubro em acalmar os investidores”, disse a The Economist. “Mas embora o prêmio de risco dos bônus brasileiros tenha caído, ele permanece num nível que tornaria a dívida pública insustentável no médio prazo.” Além disso, observou a revista, o Banco Central foi obrigado a elevar a taxa de juros para 25% anuais para conter a escalada inflacionária. “A recuperação da estabilidade requer ação rápida após Lula tomar posse em janeiro.”

Em relação à Argentina, a revista afirmou que há alguns “sinais de esperança” pois embora o PIB do país tenha encolhido 11% neste ano, a economia parece ter encontrado um patamar de “precária” estabilidade. “Maiores progressos irão depender do resultado da eleiçào em abril e, infelizmente, nenhum dos principais candidatos inspira muita confiança nos argentinos ou nos investidores”.