Testa-de-ferro preso é chave para esquema de Arcanjo

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Publicado terça-feira, 15 de abril de 2003 as 08:48, por: cdb

Adolfo Oscar Olivero Sesini, preso neste sábado à tarde em Montevidéu, é peça chave nas investigações de lavagem de dinheiro praticada pelo grupo de João Arcanjo Ribeiro. Sesini, de 50 anos, está denunciado pelo Ministério Público Federal brasileiro pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha, no mesmo processo em que aparece o nome da mulher do bicheiro, Silvia Shirata.

Segundo a Dirección Nacional de Investigación y Inteligência (DNII) do Uruguai acredita que Sesini, considerado um experiente operador financeiro, seja o testa-de-ferro de Arcanjo em Montevidéu. “Já pedimos a sua extradição, por causa do mandado de prisão que existe aí no Brasil. A lei uruguaia permite essa possibilidade”, afirmou nesta terça-feira o procurador da República Pedro Taques ao jornal Diário de Cuiabá.

Adolfo Sesini era o procurador, em Cuiabá da off shore Lyman Sociedade Anônima, empresa com sede no Uruguai e utilizada por Arcanjo para reintroduzir no Brasil pelo menos US$ 10 milhões enviados de forma ilegal para o exterior. Na procuração lhe passada pela Lyman, Sesini dava como seu endereço residencial o número 388 da travessa João Dias, no centro da Cuiabá, imóvel que pertence a Arcanjo. Nesse local funcionou por mais de um ano a Mundial Games, empresa de máquinas caça-níqueis do radialista Rivelino Brunini, assassinado em junho do ano passado, crime pelo qual o “comendador” está denunciado à Justiça.

Numa operação considerada fachada para a lavagem de dinheiro, a Lyman teria adquirido por US$ 10 milhões o controle de 99,94% das ações da Confiança Factoring, cujo nome fantasia era Real Factoring. O restante das ações foi comprado pelo laranja Edson Marques de Freitas, um ex-garçon do cassino de Arcanjo e desaparecido desde dezembro. A negociação aconteceu no dia 7 de dezembro de 2000. Documentos apreendidos na Confiança Factoring mostram que Arcanjo e Silvia Shirata permaneceram no controle da empresa nos dois anos seguintes à venda para a Lyman, fato que comprovaria, de acordo com Pedro Taques, o caráter de fachada do negócio.

Conforme noticiou o jornal El Pais em sua edição de domingo, essa semana agentes do DNII e da Unidade de Inteligência do Banco Central Uruguaio começam a avaliar a documentação apreendida em Salto e no imóvel alugado por Arcanjo no bairro Carrasco, em Montevidéu, onde ele foi preso. Acredita-se que Arcanjo tenha lavado US$ 45 milhões em instituições financeiras do Uruguai. Além da Lyman, o bicheiro tinha controle sobre a Aveyron Sociedade Anônima. As duas empresas funcionavam no 11º andar de um edifício na rua San José, 807, em Montevidéu.

Um dos sócio das Lyman é Bernardo Bomsztein Richtemberg, responsável por um escritório de contabilidade chamado Estúdio Bomsztein, onde a polícia uruguaia realizou apreensões durante o final de semana. Coincidentemente, seu escritório funciona no número 807 da rua San José, em Montevidéu, o mesmo endereço da Lyman e Aveyron. A polícia vai investigar ainda se Arcanjo adquiriu outros imóveis no país, além da fazenda que pretendia comprar no departamento de Salto, na divisa com o Brasil. Usando o nome falso de Alexandre Juvenille, ele havia aberto uma conta no Banco República no valor de US$ 180 mil, dinheiro com o qual compraria a propriedade.