Terrorista egípcio ataca preso para evitar extradição

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Publicado quarta-feira, 7 de maio de 2003 as 00:53, por: cdb

O egípcio El Said Hassan Mohamed Mockles, suposto membro de uma organização terrorista islâmica detido no Uruguai, atacou nesta, terça-feira, outro preso para evitar ser extraditado a seu país, onde assegura que será condenado a morte.

O egípcio feriu levemente com uma faca outro recluso da prisão central de Montevidéu, segundo informaram fontes policiais.

Mohamed Mockles, quem o diário argentino “Clarín” vinculou com a organização terrorista Al Qaeda, dirigida por Osama bin Laden, manifestou reiteradamente através da imprensa que preferia continuar preso no Uruguai em lugar de ser extraditado ao Egito, onde rege a pena de morte.

O ataque ao outro preso aconteceu horas depois que o ministro de Interior do Uruguai, Guillermo Stirling, informou que, em virtude da autorizção de sua extradição, seria entregue às autoridades do Egito dentro dos próximos três dias.

Essa rixa entre os presos, que acabou causando um ferido, obriga a Justiça uruguaia a abrir um processo penal, com o qual Mohamed Mockles prolonga sua permanência no país.

O egípcio está detido no Uruguai há mais de quatro anos, acusado pelas autoridades de seu país de integrar a organização terrorista Gama Islamia (Assembléia Islâmica), autora do atentado de 1997 ao templo de Luxor, no qual morreram 22 turistas suíços e alemães.

A Suprema Corte de Justiça aprovou na sexta-feira, por unanimidade de seus cinco membros, a extradição do egípcio sob a condição que não lhe seja aplicada a pena de morte.

A legislação do Uruguai, onde não existe a pena de morte, impede autorizar a extradição se a condenação que poderá receber o acusado for mais grave que a que se aplicaria no país.

Por este motivo, o máximo tribunal decidiu que a extradição do egípcio seria realizada de acordo com as normas internacionais, que garantem que Mohamed Mockles não será condenado à morte e que só poderá ser preso depois de responder a processo.

O egípcio tinha um pedido de captura internacional e foi detido pela polícia uruguaia no dia 29 de janeiro de 1999, quando pretendia entrar no país através do Brasil usando um passaporte malaio falsificado, que disse haver adquirido na paraguaia Ciudad del Este.

A justiça uruguaia o processou e condenou a prisão por “uso de documento público falso”, enquanto o Governo do Egito pediu sua extradição sob a acusação de “conspiração criminal”, “utilização de passaportes falsos”, “execução de crimes”, “atentados contra a segurança” e “porte de armas e explosivos”.

Depois de cumprir a condenação imposta no Uruguai, a justiça se pronunciou por extraditá-lo, mas sua defensora, Cecilia Schoerder, uma ex-juíza especializada em direito penal, apresentou um recurso extraordinário ante a Suprema Corte de Justiça.

Na apelação alegou que não procedia a extradição do acusado, porque nesse país não existem garantias de “um devido processo judicial”.

Há pouco tempo no Uruguai foi reproduzido um relatório do diário “Clarín”, o de maior circulação na Argentina, que assegura que Mohamed Mockles era um dos agentes de Osama bin Laden na região e que sua missão em Ciudad del Este era arrecadar fundos para financiar atividades terroristas.

Ciudad del Este, onde reside grande coletivo árabe e sírio, é o principal centro comercial da denominada “Tripla fronteira” entre Argentina, Brasil e Paraguai, uma das regiões que estão na mira de especialistas antiterroristas americanos.

Segundo a acusação egípcia, Hassan Mohamed Mockies é um membro representativo da organização Gama Islamia do Afeganistão, onde recebeu treinamento militar e foi instruído para cometer ações terroristas.