Terremoto na China já matou 257 pessoas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003 as 10:33, por: cdb

Pelo menos 257 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas no terremoto de 6,8 graus na escala Richter que sacudiu, nesta segunda-feira, a Região Autônoma de Xinjiang, no noroeste da China, informou a agência oficial Xinhua.

Segundo as autoridades locais, o número de mortos pode aumentar nas próximas horas, já que centenas de pessoas ficaram sob os escombros na cidade de Bachu, epicentro do tremor.

“Pelo menos mil casas foram destruídas”, disse Zhang Yong, diretor da seção de prevenção de desastres do Departamento Sismológico de Xinjiang, região onde mora grande parte da etnia uigur, de fé muçulmana e idioma turcomano.

O tremor telúrico aconteceu às 10.03 da manhã (00.03 de Brasília) em uma área montanhosa perto da fronteira entre a China e Quirguistão, a 3.000 quilômetros de Pequim.

Durante todo o dia houve vários tremores, um delas de 5 graus de magnitude, por isso a população não poderá voltar a suas casas esta noite, disse Zhang.

O pânico se espalhou entre os habitantes do local, que desafiaram as temperaturas de vários graus abaixo de zero e permaneceram sob a intempérie até a chegada das equipes de socorro com barracas de campanha.

Alguns camponeses já começaram a enterrar os mortos no mesmo dia de seu falecimento, segundo o rito muçulmano.

O terremoto foi sentido com especial violência nos municípios de Bachu (370.000 habitantes), onde ocorreu a maioria das mortes; Jiashi, Artux, Kashi, Markit e a cidade de Kashgar (150 quilômetros a oeste), que também estimaram em centenas os feridos.

Aparentemente, o tremor surpreendeu os residentes na hora do café da manhã na periferia de Bachu, onde a estrutura das casas é pouco confiável.

Na cidade de Chongku Qiake, dez estudantes morreram quando o edifício do instituto onde estudavam desabou depois dos primeiros tremores.

Em Arlagen, população de mil habitantes, os mortos passam de cem.

Segundo fontes da delegacia de polícia de Bachu, “muitas crianças podem ter morrido no terremoto, já que os prédios dos colégios da região são muito velhos e a maioria de vítimas morava em casas de um só andar ou em edifícios em mau estado de conservação”.

As equipes de resgate buscam entre os escombros possíveis sobreviventes.

Além disso, os membros do Exército Popular de Libertação (PLA) foram mobilizados para colaborar nas operações de salvamento.

“Estava indo para o trabalho de bicicleta quando a terra começou a tremer. Foi horrível, nunca tinha experimentado uma sensação de impotência semelhante”, disse um bancário.

Especialistas descreveram este tremor de terra como “o pior nesta região desde a fundação da República Popular da China em 1949”.

Em Xinjiang ocorrem freqüentes terremotos, especialmente na parte ocidental, mas geralmente não causam vítimas nem danos materiais consideráveis, devido à pouca densidade populacional nesta região semidesértica, a maior da China.

Um forte tremor matou 50 pessoas em janeiro de 1997 e outras nove morreram em outro tremor de pequena magnitude em abril do ano passado nesta mesma região.

Cerca de 250.000 pessoas morreram em 27 de julho de 1976 em um terremoto registrado na localidade de Tangshan, situada a vários quilômetros de Pequim, no que é considerado o pior desastre natural do século XX na China.

A Região Autônoma de Xianjiang é habitada em 44 por cento por membros da etnia uigur, que mantém uma relação tormentosa com os “han” (chineses), que representam 40 por cento da população.

Esta região tem fronteira com a Mongólia e a Rússia ao norte; o Cazaquistão e o Quirguistão a oeste; e o Tajiquistão, o Afeganistão, o Paquistão e a Caxemira índia, ao sul.

Xinjiang -com 1.646.900 quilômetros quadrados de superfície, local de passagem da antiga Rota da Seda- tem 80 por cento dos recursos minerais da China, é o maior produtor de algodão e é famosa por suas frutas, melão, melancia, uva e tâmara.