Terremoto deixa rastro de destruição na Itália

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Publicado quarta-feira, 24 de agosto de 2016 as 09:27, por: cdb

Tremor de magnitude 6,2 na escala Richter deixa pelo menos 73 mortos e chega a ser sentido em Roma, a 170 km do epicentro. Cidades mais atingidas são Accumoli, Amatrice, Posta e Arquata del Tronto

Por Redação, com agências internacionais  – de Roma:

 

Um terremoto devastador destruiu uma série de cidades montanhosas no centro da Itália nesta quarta-feira, deixando pelo menos 73 mortos, além de moradores presos sob pilhas de escombros e milhares de pessoas desabrigadas.

Destruição em Amatrice: cidade foi uma das mais atengidas pelo terremoto
Destruição em Amatrice: cidade foi uma das mais atengidas pelo terremoto

O tremor ocorreu nas primeiras horas da manhã, quando a maioria dos moradores dormia, derrubando casas e destruindo ruas em um conjunto de pequenas cidades italianas cerca de 140 quilômetros a leste de Roma.

Uma família de quatro pessoas, incluindo dois meninos de 8 meses e 9 anos, foi soterrada quando sua casa desmoronou em Accumoli.

Enquanto os socorristas levavam o corpo da criança de colo, cuidadosamente coberta sob uma manta, sua avó culpava Deus aos prantos: “Ele levou todos de uma vez”.

O Exército foi mobilizado para ajudar com equipamentos pesados especiais e o Tesouro italiano liberou 235 milhões de euros de fundos emergenciais. No Vaticano, o papa Francisco cancelou parte de sua audiência-geral para rezar pelas vítimas.

Fotos aéreas mostraram áreas inteiras de Amatrice, que no ano passado foi eleita uma das cidades históricas mais belas da Itália, arrasada pelo tremor de magnitude 6,2.

– São todas pessoas jovens aqui, estamos nas férias, era para o festival da cidade ser realizado depois de amanhã, então muitas pessoas vieram por causa disso – disse Giancarlo, morador da localidade, sentando na rua só de cuecas.

O terremoto aconteceu em pleno verão local, quando a área, que normalmente é pouco povoada, recebe grande quantidade de turistas.

O prefeito de Accumoli, Stefano Petrucci, disse que cerca de 2,5 mil pessoas perderam suas casas na cidade, composta de 17 aldeias.

Moradores que perceberam gemidos abafados por toneladas de tijolos e concreto reviraram os destroços com as próprias mãos antes de os serviços de emergência chegarem com equipamentos de remoção de terra e cães farejadores. Rachaduras enormes pareciam feridas abertas nos edifícios ainda de pé.

O Departamento de Proteção Civil informou que alguns sobreviventes serão levados para outros locais do centro do país, e outros ficarão abrigados em tendas que estão sendo enviadas para a área.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, disse que irá visitar a região do desastre ainda nesta quarta-feira: “Ninguém será deixado sozinho, nenhuma família, nenhuma comunidade, nenhum bairro. Precisamos colocar mãos à obra… para restabelecer a esperança nesta área que foi atingida com tanta dureza”, afirmou em um breve discurso na televisão.

A porta-voz do Departamento de Proteção Civil, Immacolata Postiglione, disse que há mortos em Amatrice, Accumoli e outros vilarejos, como Pescara del Tronto e Arquata del Tronto. Ela estimou o saldo de mortos inicial em 38 pessoas, mas disse que as equipes de resgate só chegaram recentemente a algumas das áreas atingidas.

O sismo causou danos em três regiões, Umbria, Lazio e Marche, e foi sentido até na distante Nápoles, cidade portuária no sul italiano.

Brasileira 

A brasileira Alessandra Ribeiro, que mora em Cesenatico, na região de Emília-Romanha, relatou à Agência Brasil os momentos de tensão que passou ao ser acordada de madrugada por causa do terremoto de 6,2 graus de magnitude.

Apesar de estar a cerca de 150 quilômetros (km) do epicentro do tremor, registrado a 2 km da cidade de Accumoli, Alessandra, de 50 anos, contou que ela e sua família levaram um susto por volta das 3h30 da madrugada, quando acordarem com as camas chacoalhando.

– Acordei com a cama balançando, pois aqui eram 3h36 da manhã desta quarta-feira aqui na Itália. Imagino como foi lá na região – disse ela, que é casada com um italiano e tem dois filhos, de 20 e 17 anos. “Terrível”, foi a palavra que usou para descrever a sensação de despertar em meio ao tremor. Diversas pessoas passaram o resto da noite de pijama nas ruas.

Há 16 anos na Itália, Alessandra disse ter diversas memórias de tremores na região, mas que essa foi um dos mais fortes terremotos de que consegue se lembrar. Ela recordou de como a cidade de Áquila, na mesma região, também ficou destruída em 2009, com a morte de mais de 300 pessoas.

– São casas muito velhas, geralmente feitas com materiais antigos, como pedras e muita coisa antiga, que geralmente não aguentam esse tipo de terremoto. É por isso que a cidade acabou toda, disse ela sobre as características das construções na região em que mora e, mais especificamente, em referência à Vila de Amatrice, onde houve o maior número de mortes confirmadas até o momento, 35.

Algumas vilas, como Amatrice e Arquata del Tronto, ficaram reduzidas a escombros, praticamente sem nenhuma construção de pé. O alto poder destrutivo do tremor foi atribuído ao fato de seu epicentro ter sido registrado a apenas 4 quilômetros da superfície, numa região montanhosa, em que muitas construções encontram-se assentadas em terrenos inclinados.

Um número ainda não especificado de pessoas continua sob os escombros. Diversas estradas foram obstruídas por pedras, o que dificulta os trabalhos de resgate. Algumas localidades também tiveram suas instalações hospitalares inutilizadas.