Terra Doce liga o campus da Uerj ao fazer cultural da Mangueira

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Publicado segunda-feira, 21 de setembro de 2009 as 11:21, por: cdb

A arte e as relações sociais formam um binômio de interação entre o ambiente acadêmico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e os moradores da mais tradicional comunidade da Zona Norte do Rio. Professores e estudantes do Campus Maracanã promovem a arte junto ao público a partir do trabalho de envolvimento de muitos na coleta e armazenamento de sementes, no cultivo de mudas, na feitura dos vasos e, na dispersão desses trabalhos, o fazem como parte do sentido de uma semeadura de afeto, no cotidiano das pessoas que têm acesso ao artesanato.

“A arte de criar laços entre as pessoas e ao seu entorno ambiental, leva à constituição de um lugar constituído pelo compartilhamento, uma utopia entre as comunidades da UERJ e Mangueira. Ligações entre aspirações da arte,  buscas que permitam o estar e atuar entre o desejo e a necessidade provendo a vida. A busca de comunicação, troca e apoio mútuo se faz como uma veia central nessa obra/cidade. O número de atores é aberto, as possibilidades de frutificação são muitas, estamos apenas fazendo brotar certas esperanças”, afirma o texto assinado pelos integrantes do projeto Terra Doce, Ana Guedes, Ângela Martins, Alessandra Caetano, Antonia Lisboa, Bianca Silva, Beth Jorge, Helena Baldoino, Isabela Frade, Isnara Lisboa, Jessica Ricardo, Joana Gomes, Mara Lara, Marcela Antunes, Marluci Reis e Márcia

Ainda segundo o Terra Doce, as experiências em arte propostas pelo projeto “são calcadas na via do diálogo com outros saberes, sobretudo porque se trata de atuação de caráter estético-político investida nas relações sociais. O que não se deve perder de vista é a busca do equilíbrio das ações entre lá (Mangueira) e cá (Campus Maracanã), em que artistas das duas comunidades se farão corpo integrado, se compondo como um coletivo. Calca-se também na constatação de que a produção plástica popular urbana merece, por parte dos pesquisadores acadêmicos, maior atenção em seus traços propriamente artísticos”.
 
A Mangueira, espaço de graves conflitos sociais, vem sofrendo com a extinção progressiva de vínculos comunitários provocada pela escalada na violência urbana, a degradação das áreas de convívio no seu entorno, o agravamento das condições de precariedade econômica e a falta de oportunidades. Esses fatores provocam o desaparecimento das múltiplas tradições culturais do âmbito doméstico e local, afirmam os integrantes do Terra Doce, “com exceção dos festejos carnavalescos e dos bailes funk“.

A comunidade mangueirense, no entanto, “é muito mais que carnaval e funk, reconhecidos redutos de facções criminosas, ainda que espaços de grande aceitação comunitária, e se tornaram a hegemonia cultural local que pode ser flexibilizada no diálogo com outras formas de arte”, afirmam alunos e professores da Uerj. “A valorização em consonância de três acervos abrangentes: artístico, natural e sócio-cultural pretende contribuir para a dinamização e preservação da cultura mangueirense em seu aspecto mais amplo e diverso. Faz-se necessário o investimento na difusão nos espaços formais das instituições oficiais de arte e cultura da nossa cidade para o seu público reconhecimento”, concluem.

O projeto Terra Doce é uma realização da Uerj, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), da Casa das Artes da Mangueira e do Observatório de Comunicação Estética do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).