Temer promete sequestrar direitos para conquistar votos dos tucanos

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Publicado quinta-feira, 18 de agosto de 2016 as 13:51, por: cdb

Reforma prevê o fim do FGTS, do 13º salário, das oito horas diárias na jornada de trabalho e das férias

 

Por Redação – de Brasília

 

Às vésperas do julgamento definitivo da presidenta Dilma Rousseff no Senado, que definirá a cassação do mandato obtido nas urnas, com mais de 54 milhões de votos, o presidente de facto, Michel Temer, aperta os laços com as forças da ultradireita, no país. Noite passada, Temer reuniu-se com políticos do PSDB, no Palácio do Jaburu, aos quais prometeu, se consolidar o golpe de Estado em curso no país, que colocará em marcha “uma agenda ousada”, com o corte de benefícios trabalhistas, retirada de direitos na Previdência e privatizações das principais empresas brasileiras, entre elas a Petrobras.

— O presidente não tem a possibilidade de errar de agora em diante. Nós apresentamos a ele os mesmos temas que já tínhamos apresentado, de reformas estruturais no País. O que nós ouvimos do presidente Michel e de alguns dos seus principais assessores, é que ele tem absoluta disposição de inaugurar na semana que vem um tempo novo em seu governo, onde a agenda de reformas seja clara e o governo como um todo, não apenas o PSDB ou alguns dos aliados, lute por ela. Uma agenda que vai recuperar o país — disse o candidato tucano derrotado em 2014, senador Aécio Neves (MG), na saída do encontro.

Aécio ouvir de Temer que a agenda da ultradireita, com o sequestro de direitos, será implementada
Aécio ouvir de Temer que a agenda da ultradireita, com o sequestro de direitos, será implementada

Ainda segundo Neves, Temer tem a “oportunidade única”.

— Eu acredito que tudo o que ele nos disse hoje, ele tem condições, com nosso apoio e da sociedade, de colocar em prática. O governo deve ter compromisso com a História, não com novas eleições — acrescentou Aécio, adiantando que Temer não terá o apoio dos tucanos se mudar de ideia e tentar a sorte, em 2018.

Seca eterna

Para Temer, a obra de transposição das águas do Rio São Francisco, que marcou os mandatos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, será apenas uma citação na história de combate à seca, no Nordeste do país. Nesta quinta-feira, o presidente de facto decidiu centralizar nas mãos do PMDB a execução orçamentária dos projetos contra a seca no Nordeste, retirando as verbas dos governadores.

Com isso, os gastos serão controlados pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgão controlado predominantemente por peemedebistas. A mudança de paradigma também visa reforçar os votos que Temer pretende garantir no Senado, para se manter no Palácio do Planalto.

A decisão ocorreu após uma reunião no Palácio do Jaburu, no domingo, entre Temer e o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, presidente em exercício do PMDB do Pará e filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), segundo nota publicada em um diário conservador paulistano. A decisão de Temer favorece o PMDB na medida em que o Dnocs é controlado na maior parte dos Estados pelo partido. No Ceará, por exemplo, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, é o responsável pela indicação tanto do coordenador regional quanto do diretor-geral nacional do órgão. O senador é adversário político do governador cearense, Camilo Santana (PT).

A centralização dos recursos revoltou os governadores nordestinos.

— Não quero acreditar que isso foi feito por questões políticas — disse o governador do Ceará, Camilo Santana. Robinson Faria disse ter recebido “com surpresa” a decisão.