Temer pede dinheiro à Odebrecht e recebe R$ 10 milhões de caixa dois

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Publicado segunda-feira, 15 de agosto de 2016 as 13:13, por: cdb

Em depoimento aos inspetores da Operação Lava Jato, com vistas à delação premiada, Marcelo Odebrecht confessa que doou R$ 10 milhões ao PMDB, em dinheiro vivo, a pedido de Temer

 

Por Redação – de Brasília

 

Presidente de facto, Michel Temer admite ter pedido dinheiro ao empresário Marcelo Odebrecht, em jantar no Palácio do Jaburu.
Em entrevista ao site de ultradireita O Antagonista, publicada nesta segunda-feira, o líder peemedebista confirma o pedido de dinheiro vivo ao empresário: o partido o pressionava para obter recursos, admite.

— Eu já confirmei que jantei com Marcelo Odebrecht, no Jaburu, em 2014. Como é natural, o partido me pressionava para obter recursos para os seus candidatos. A Odebrecht contribuiu? Claro que sim. Está tudo registrado. Foram mais de R$ 10 milhões, dentro da lei. Sei que muitos podem não acreditar, dado o momento terrível que vivemos, mas não tenho conhecimento sobre dinheiro dado em espécie ao partido. E, sinceramente, acho improvável que isso tenha ocorrido. A minha preocupação é institucional, não jurídica — diz ele.

Michel Temer chegou no fim da linha
Michel Temer chegou no fim da linha após admitir que pediu dinheiro a empreiteiro

Em depoimento aos inspetores da Operação Lava Jato, com vistas à delação premiada, Marcelo Odebrecht confessa que doou R$ 10 milhões ao PMDB, em dinheiro vivo, a pedido de Temer. Disse ainda que tais recursos não foram contabilizados e saíram pelo caixa dois da empreiteira. Do total, R$ 4 milhões chegaram, em espécie, ao atual ministro interino da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Na entrevista, Temer também tentou se blindar em relação à ação, movida pelo PSDB, que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, alegando que as contas são separadas. No entanto, os ministros da corte eleitoral têm dito que será impossível condenar Dilma e preservar Temer. Eis o que disse o interino:

— Creio que o TSE vai separar o julgamento das minhas contas de campanha do das contas da presidente afastada. Foram duas campanhas com captações de recursos distintas, como manda a lei. Basta ir à Constituição para verificar que a figura do vice-presidente é apartada da do presidente, ele não é um apêndice. A tese de “arrastamento” viola o preceito constitucional segundo o qual nenhuma pena passará da pessoa do condenado. É como condenar por atropelamento alguém que estava sentado ao lado do motorista na hora do acidente — disse.

Delação premiadíssima

Na Polícia Federal (PF), há delegados da força-tarefa, na Operação Lava Jato que, que defendem um acordo com Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, preso há 14 meses, para que ele também faça uma delação premiada. Segundo dados vazados para jornalista do diário conservador Folha de S. Paulo, ”investigadores dizem que uma delação de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, não está descartada. E refutam a tese de advogados da empresa de que a colaboração será aceita. ‘Não é um fato consumado’, indica um procurador da força-tarefa”.

“Envolvidos na colaboração afirmam que o projeto de construção do submarino nuclear estará na delação da empreiteira. Mas, ao contrário do que se esperava, não deve haver revelação de propina a chefes de Estado estrangeiros”, acrescenta. O que se comentava, nos bastidores, é que o francês Nicolas Sarkozy poderia ser atingido. Emílio Odebrecht também foi procurado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, semana passada, que teria pedido proteção a José Serra e Aécio Neves nas delações da empreiteira.

FHC falou sobre a possibilidade de um abrandamento da denúncia envolvendo José Serra e Aécio Neves. Emílio teria respondido que, com 52 executivos envolvidos no escândalo, dificilmente teria condições de influenciá-los.

— Se não temos condições aqui dentro, imagine lá fora — concluiu o empreiteiro.

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