Temer minimiza divergência entre presidente da Câmara e do Senado

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Publicado terça-feira, 28 de abril de 2015 as 11:36, por: cdb
terceirização
Para Temer, o Legislativo é um lugar de conflito nas mais variadas matérias

O vice-presidente da República, Michel Temer, minimizou, nesta terça-feira, qualquer mal-estar provocado pela divergência entre os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, em torno da votação da Lei da Terceirização. O projeto foi aprovado na última semana pelos deputados e depende agora da aprovação dos senadores. Calheiros antecipou que é contrário à proposta.

Segundo Temer, não existe um desentendimento pessoal.

– O Legislativo é um lugar de conflito nas mais variadas matérias. Muitas vezes há certa divergência entre presidente da Câmara e do Senado. Mas isto se decide na votação – afirmou.

O vice-presidente está na Câmara para falar, como presidente do PMDB, sobre a posição do partido em relação à Reforma Política e se mostrou otimista em relação à divergência. Temer garantiu que a divergência provocada pelo projeto de lei da terceirização não afetou internamente a legenda.

– O PMDB sempre foi um partido de muitas opiniões e sempre cuidamos de juntar essas opiniões. É o que estamos fazendo agora. Não tenho nenhuma preocupação quanto a isto – disse.

Michel Temer afirmou ainda que as negociações em torno das medidas provisórias que integram a estratégia do governo de fazer um ajuste fiscal está avançando positivamente. Segundo ele, o governo terá que dialogar, mas os acordos, nesta fase, estão “bem encaminhados”.

– Acho que vamos conseguir. Estive recentemente em Portugal e na Espanha e verifiquei que o ajuste fiscal deu ótimos resultados como vai acontecer no Brasil – completou.

Reforma política

Michel Temer disse que sua presença na audiência das comissões da reforma política da Câmara dos Deputados, assim como a dos presidentes de outros partidos, é simbólica e demonstra, mais do que nunca, a necessidade de a Casa fazer a reforma neste momento.

– Seria uma grande decepção popular e política se nós todos, unidos, não conseguíssemos realizar essa reformulação política no nosso País – disse.

Segundo Temer, os termos dessa reforma têm de ser dados pelo Congresso Nacional, sem que prevaleça a reforma ideal dele ou de qualquer outro presidente de partido.

– Se os partidos não se entenderem em torno de um sistema eleitoral, não conseguiremos os 308 votos necessários para essa reformulação política – destacou.

Para ele, é preciso verificar qual é a tese que tem mais apoio na Casa. Outra alternativa seria “formular uma equação mista”.

Sistema majoritário

Temer voltou a afirmar que apoia o voto majoritário para a eleição de deputados, sistema conhecido como “distritão”. Por esse sistema, seriam eleitos os candidatos mais votados em cada estado, sem se levar em conta os votos no partido.

– Quem deve governar sempre é a maioria representativa do povo – ressaltou.

O presidente do PMDB salientou que, no atual sistema proporcional, deputados com apenas 200 votos podem ser eleitos, enquanto outros com mais de 100 mil votos podem ficar de fora. Na visão dele, se alguém que não representa a população pode votar para aprovar leis na Câmara, isso contraria a base da democracia, que é a tese de que todo poder emana do povo.

Para o vice-presidente, a mudança para o distritão não acabaria com os partidos políticos, como argumentam os contrários a esse sistema. Ele afirmou que, ao se aprovar o novo sistema, deveria constar na legislação que o mandato é do partido.

– Quem for eleito será eleito para cumprir o mandato pelo seu partido – afirmou.