Telecom Américas compra a BCP Nordeste

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Publicado quinta-feira, 6 de março de 2003 as 09:33, por: cdb

A mexicana América Móvil, dona da Telecom Américas, chegou a um acordo para comprar 95% da operadora brasileira de telefonia celular BSE (BCP Nordeste), que atua em 6 Estados do Nordeste. Com mais essa aquisição, os mexicanos fortalecem sua posição entre os três maiores grupos de telefonia celular no Brasil, ao lado dos italianos e dos portugueses e espanhóis.

Os vendedores são a americana BellSouth e a Verbier, empresa dos irmãos Safra. O valor do negócio não foi anunciado, mas pode ser estimado em US$ 170 milhões já que a América Móvil avalia a BSE em US$ 180 milhões.

A BSE tinha 1 milhão de clientes no final de 2002, atuando em Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. A companhia tem uma dívida de US$ 712 milhões.

Enquanto a América Móvil, maior operadora de telefonia celular da América Latina, expande a atuação no Brasil, a BellSouth reduz sua exposição à fraca economia e às flutuações cambiais que prejudicaram seus investimentos.

Em parceria com a Verbier, a BellSouth controla também a BCP, operadora que atua na região metropolitana de São Paulo, mas não faz parte dessa negociação. A BCP entrou em default em março de 2002, depois de ter deixado de pagar uma parcela de US$ 375 milhões a bancos.

A América Móvil atua no Brasil por intermédio da subsidiária Telecom Américas, que tem feito aquisições nos últimos anos. ”Com essa aquisição, a presença da América Móvil no Brasil vai cobrir uma região com 139,5 milhões de habitantes, o que representa 82% da população brasileira”, afirmou a empresa mexicana em comunicado.

A Telecom Américas tinha no final de 2002 cerca de 5,2 milhões de assinantes e opera nos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, São Paulo, Acre, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia.

O grupo mexicano, incluindo suas operações no Brasil, tem fluxo de caixa livre positivo, mas os auditores da BSE haviam dito em setembro de 2002 que a companhia não gerava caixa suficiente para cobrir seus gastos com juros da dívida.

O acordo de venda deve estar concluído no segundo trimestre e precisa ser submetido a aprovação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).