Tecnologia avançada aumenta produtividade da cultura de soja no MT

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Publicado segunda-feira, 3 de março de 2003 as 08:55, por: cdb

Cuiabá (MT) – Qualquer adjetivo superlativo é modesto para expressar a grandeza da cultura de soja no Mato Grosso. São 4,277 milhões de hectares, onde serão colhidas 13,259 milhões de toneladas de soja, volume 13,9% acima das 11,636 milhões de toneladas colhidas na safra passada, segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O avançado nível tecnológico dos produtores instalados no Mato Grosso se reflete na alta produtividade das lavouras de soja. O rendimento é estimado em 3.100 kg/hectare pela Conab, nível 12% superior a média brasileira, de 2.765 kg/hectare, e uma das maiores do mundo. Na safra passada, o Mato Grosso só perdeu para a produtividade de Iowa, mas na média de quatro anos bate os três principais estados produtores de soja dos EUA.

A área de soja no Mato Grosso não pára de crescer. Nesta safra a expansão foi de 10%, em torno de 420 mil hectares, e no próximo plantio deve aumentar na mesma proporção, com o avanço do cultivo sobre áreas de pastagens e cerrados.

O consultor André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult, observa que o Mato Grosso vai colher neste ano 1 saco a mais de soja por hectare, apesar de fatores que poderiam contribuir para derrubar a produtividade, como a falta de chuvas que provocou atraso no plantio, do surgimento da ferrugem no final do ciclo das lavouras e da expressiva área de cultivo de áreas novas. Pessoa observa que os forte investimento feito na compra de máquinas e implementos de última geração, por meio de financiamento do Programa de Modernização da Frota de Máquinas Agrícolas (Moderfrota), possibilita aos produtores realizar o plantio em metade do tempo gasto há cinco anos.

Nas plantadeiras atuais, o produtor controla a eficiência de distribuição das sementes através de um computador existente no painel da máquina. Antes o operador tinha que parar a máquina para realizar uma vistoria no solo e ver se o trabalho estava sendo bem feito.

O alto nível tecnológico se revela também nas áreas novas. Pessoa explica que há cinco anos não se investia pesado nas lavouras cultivadas em áreas de abertura de fronteira. Hoje, o produtor realiza calagem e adubação pesada no arroz, normalmente cultivado no primeiro ano de cultivo, e no plantio da soja entra com adubação normal. Com isso, a produtividade do primeiro ano de cultivo da soja saltou de 35 a 40 sacas por hectare para os atuais 45 sacos. Um dos novos pólos agrícolas é o município de Nova Maringá, onde a pecuária extensiva ainda resistia em meio a um mar de soja, por causa da falta de infra-estrutura no município.
A perspectiva de construção de uma rodovia asfaltada que irá cortar o município e a instalação de um armazém pela Bunge Alimentos provocaram uma corrida pelas terras, que triplicaram de preços em apenas um ano. O maior potencial de cultivo da região está no município de Brasnorte, que tem um chapadão de 30 quilômetros por 100 quilômetros, uma área de 300.000 hectares.

O produtor paranaense Darci Francisco Mocellin comprou no início do ano passado 965 hectares em Nova Maringá, quando pagou R$ 250 pelo o hectare de terra. Recentemente, Mocellin recusou propostas de R$ 800 pelo hectare. Mocellin é um brasiguaio, que após 30 anos de cultivo na província de Salto de Guaíra, em território Paraguaio, cansou de ser tratado como estrangeiro e resolveu plantar em solo pátrio.

Mocellin está cultivando nesta safra 60 hectares de arroz e 46 hectares de soja. Na próxima safra, Mocellin ele pretende ampliar a área de soja para 250 hectares, com a derrubada de áreas de mata. As restrições impostas pelas leis ambientais podem atrapalhar os planos do produtor, pois a legislação do município permite a exploração agrícola de 20% da área.

Um dos bons exemplos da dinâmica da soja no Mato Grosso é o município de Nova Mutum, que surgiu como uma vila em torno de posto de gasolina que existia às margens da rodovia BR 163. A vila se formou dentro de uma fazenda de 169 mil hectares