Técnicos internacionais conhecem gestão ambiental de Curitiba

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Publicado terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 as 12:07, por: cdb

Na manhã desta terça-feira (28), a secretária municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias, fez uma palestra sobre Gestão Ambiental para autoridades, gestores públicos, representantes acadêmicos e empresários de 12 países da América Latina e África, que participam da Missão Técnica Internacional de Capacitação, promovida pelo IIDEL – Instituto Internacional para Desenvolvimento Local, que acontece até esta quarta-feira (29) em Curitiba.

“Este encontro reafirma que Curitiba é referência em sustentabilidade”, afirmou Marilza. Ela comentou que o intercâmbio é enriquecedor para todos”. “As cidades têm demandas parecidas e as experiências bem sucedidas num lugar podem ser aplicadas em outro”, disse. Na plateia haviam 57 representantes de 11 países, além dos brasileiros.

“Eu decidi participar para entender melhor os grandes avanços de Curitiba, principalmente nas áreas de transporte urbano e meio ambiente”, explicou o cooperativista Carlos Castro, da delegação da Costa Rica.

O arquiteto colombiano Jorge Bittar, da Universidade Francisco de Paula Santander, ficou convencido de que as cidades têm ainda muito para fazer em seus planejamentos urbanos e sociais. “Em especial, o que me chamou a atenção em Curitiba foi a educação ambiental aplicada nas escolas”, disse.

Para o vereador boliviano da cidade de Cobija, Gabriel Antonio Parada, o que mais lhe chamou a atenção foi a preocupação local com a preservação da natureza. “Temos lições práticas em Curitiba da integração do verde com a paisagem urbana. Isso me faz admirar muito a cidade”, disse.

A mesma constatação fez o africano Agostinho Pedro Antonio, assessor da Presidência da República de Angola. “Esta é a minha terceira vez em Curitiba. A cidade me interessa muito do ponto de vista do planejamento urbano e do meio ambiente, principalmente”, explicou.

Ele informou que pretende levar lições de Curitiba para o seu país, como a implantação de mais áreas verdes, por exemplo. “É incrível a maneira com que Curitiba lida com o meio ambiente. Sinto falta disso nas grandes cidades de Angola”, disse o assessor.

O organizador do evento e diretor do IIDEL no Paraná, Eliel Rosa, explicou que Curitiba é a única cidade a sediar duas edições anuais do evento porque continua sendo referência em planejamento urbano. “Ações curitibanas estão replicadas em vários locais do mundo, como o projeto Câmbio Verde que está no Panamá”, explicou Eliel.

Também participaram da Missão Técnica, como palestrantes, as secretárias municipais da educação, Liliane Sabbag, e da Saúde, Eliane Chomatas.

Gestão Ambiental – A secretária do Meio Ambiente detalhou o Programa BioCicade, que tem como objetivo promover o controle e a proteção da biodiversidade no ambiente urbano. “A política ambiental do município vem sendo consolidada mediante ações de proteção, recuperação, controle, monitoramento, educação ambiental e implantação de áreas de conservação e lazer, de forma a manter e melhorar a qualidade de vida dos curitibanos”, explicou Marilza.

Entre outros resultados dessa política está a constatação recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que Curitiba tem a melhor qualidade do ar entre as cidades de grande porte do Brasil. “Para manter a qualidade do ar, temos investido em ações educativas, de monitoramento e de preservação”. Em Curitiba, o projeto de arborização viária conta com cerca de 300 mil árvores nas ruas.

Marilza destacou o fato de que em 2011 houve uma alteração do índice de áreas verdes por habitante de 51,5 metros quadrados para 64,5 metros quadrados por pessoa, devido ao refinamento da tecnologia de aferição. “A manutenção desse índice é garantida pelo número de Unidades de Conservação e Lazer (UCs) na cidade distribuídos nos 21 parques, 15 bosques, 1 Jardim Botânico, 1 Bosque de Preservação, 4 Reservas Particulares do Patrimônio natural municipal (RPPNM) e 1.016 áreas de lazer (praças, jardinetes, largos, núcleos ambientais, eixos de animação e jardins ambientais)”, disse.

Com relação à despoluição das bacias hidrográficas do município são realizadas ações de fiscalização, educação ambiental, realocação das famílias em áreas de risco, recuperação das áreas de preservação permanente ao longo dos rios e implantação de parques lineares, a exemplo do projeto Viva Barigui, iniciado em 2007. Para 2012 está prevista a criação de mais dois parques, na Vila Rigoni, Fazendinha, e na Rua Bernardo Meyer, na CIC, ao longo do rio, que irão compor o Parque Linear do Barigui. O objetivo é termos um parque linear com 45 quilômetros de extensão, disse Marilza.

Resíduos Sólidos – Outro aspecto que tem feito de Curitiba uma referência é a gestão de resíduos sólidos. A SMMA disponibiliza em 100% do território urbano as coletas: domiciliar e seletiva. Além dessas, a de resíduos tóxicos e de resíduo vegetal. Para a população ambiental e socialmente vulnerável o programa Câmbio Verde, troca de resíduos recicláveis por produtos hortifruti de estação, ampliou neste ano três pontos e está disponível atualmente em 95 locais na cidade.

Em 2011, o índice de reciclagem, relação do lixo reciclável sobre total do lixo coletado, foi de 22,1%. Esse resultado deve-se também ao trabalho dos catadores de materiais recicláveis responsáveis pela maior parte da coleta desses materiais. Em função da situação de risco que os coletores de material reciclável estão expostos foram criados os parques de reciclagem. É o projeto Ecocidadão, que propiciou que a vida de centenas de catadores mudasse para melhor.

Na palestra, a secretária ainda apresentou o plano de encerramento do aterro de Curitiba que conta com um rigoroso monitoramento do espaço. “Depois de um ano constatou-se o retorno da biodiversidade na área que está sendo monitorada pelos pesquisadores do Museu de História Natural. Entre as espécies de plantas, aves e mamíferos encontraram até mesmo animais ameaçados de extinção”. Outra boa novidade no antigo aterro é a alta eficiência do sistema de tratamento de chorume, que está conseguindo eliminar 90% dos poluentes resultantes da decomposição do lixo.