Técnico diz que queda do PIB foi afetada pela alta base de comparação

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 26 de novembro de 2003 as 15:29, por: cdb

A queda de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2002 foi afetada pela alta base de comparação, já que no terceiro trimestre do ano passado a economia brasileira apresentou crescimento de 2,9%.

A avaliação é do coordenador de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Olinto. Para ele, o resultado é reflexo da “recessão técnica” da economia. De julho a setembro deste ano, a indústria caiu 1,6%, a agropecuária, 2,8% e os serviços, 0,8%.

As Contas Nacionais Trimestrais, divulgadas nesta quarta-feira pelo IBGE mostram que, na indústria, o pior desempenho continuou sendo o da construção civil, com queda de 10,9%. Olinto lembrou que esse subsetor pesa 21% no cálculo do desempenho da indústria e o resultado negativo foi influenciado pela queda da renda das famílias e pela falta de crédito habitacional, em função dos juros altos. Na mesma base de comparação, registraram taxas positivas a indústria de transformação (0,4%), os serviços industriais de utilidade pública (1,5%) e o setor extrativo-mineral (2,6%).

No setor de Serviços, Comunicações apresentou, pela primeira vez em toda a série histórica trimestral, uma queda de 1%. O subsetor vinha com taxas positivas, apesar de decrescentes, e foi influenciado pela queda tanto na telefonia fixa, cujo peso para o cálculo é de 90%, e nos Correios, que pesa 10% no cálculo.

Segundo Olinto, outra conseqüência da queda na renda das famílias foi o grande movimento de devolução de linhas fixas de telefone. – Mesmo as taxas positivas da telefonia móvel – item incluído pela primeira vez no cálculo do PIB – não sustentaram o setor, pois as ligações internacionais caíram 10% e as nacionais, 3% – disse.

Os aluguéis, que também têm peso alto na composição do PIB, tiveram taxas positivas, mas a pesquisa do IBGE registra queda na procura por imóveis mais caros.