Taxas globais de nitrogênio e de carbono no meio ambiente estão ligadas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 22 de abril de 2010 as 11:57, por: cdb

Uma nova pesquisa, que investigou o crescente problema da poluição por nitrogênio, indica que as taxas globais de nitrogênio e de carbono no meio ambiente estão intimamente ligadas.

Segundo os autores, o estudo pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias para ajudar a mitigar problemas regionais que vão de corpos d’água contaminados a impactos na saúde humana. O trabalho foi publicado na edição desta quinta-feira da revista Nature.

A pesquisa observou que nitratos – uma forma do nitrogênio – no ambiente exibem uma relação consistente, não linear e inversa com o carbono orgânico. O acúmulo de nitratos em rios, lagos e oceanos é uma consequência do uso de fertilizantes artificiais e tem causado problemas ambientais.

Philip Taylor e Alan Townsend, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, verificaram que a proporção entre nitratos e carbono é resultado de processos microbianos que ocorrem em praticamente todos os ecossistemas.

Os pesquisadores analisaram dados de regiões tropicais, temperadas e polares, além de áreas conhecidas pela poluição por nitrogênio, como o golfo do México, o mar Báltico e a baía de Chesapeake (Estados Unidos).

– Desenvolvemos um novo modelo para explicar como e por que o carbono e o nitrogênio estão tão intimamente relacionados. Os resultados ajudam a explicar por que a presença de nitratos é tão elevada em alguns corpos d’água e reduzida em outros –, disse Taylor.

Apesar de o gás nitrogênio ser abundante na atmosfera, trata-se de uma forma não reativa e indisponível para a maior parte da vida no planeta. Mas, no início do século XX, entrou em cena um processo para transformar o nitrogênio em amônia, o principal ingrediente dos fertilizantes sintéticos usados na agricultura.

Atualmente são produzidos mais de 180 milhões de toneladas de fertilizantes por ano no mundo, sendo que a maior parte migra das plantações para a atmosfera, rios e oceanos.

O resultado é um conjunto de problemas ambientais que incluem o aumento de algas tóxicas, a “morte” de águas costeiras e sérios impactos na saúde humana – a presença de concentrações elevadas de nitratos na água consumida por humanos aumenta os riscos de desenvolver doenças como câncer, diabetes e Alzheimer.

– Em resumo, em locais em que a presença de carbono orgânico tem níveis suficientes, os nitratos são mantidos em níveis baixos. Ao usarmos dados disponíveis, poderemos fazer avaliações de quando e onde a poluição por nitratos pode se manifestar –, disse Townsend.