Tarso Genro descarta uso das Forças Armadas no policiamento de favelas

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Publicado segunda-feira, 28 de janeiro de 2008 as 21:02, por: cdb

O ministro da Justiça, Tarso Genro, descartou na segunda-feira o uso de militares das Forças Armadas nas ações policiais que serão realizadas nas favelas que receberão obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Rio de Janeiro.

Tarso admitiu que a participação das Forças Armadas se resumirá ao apoio logístico e operacional, deixando para as polícias, militar e civil, e também para a Força Nacional de Segurança os confrontos com os traficantes de drogas. Ele se reuniu com o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, para tratar dos últimos detalhes das ações do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), principalmente as destinadas ao Complexo do Alemão, na Zona Norte da cidade.

— Nosso entendimento é que não precisa de nenhum tipo de participação das Forças Armadas. Elas só podem participar, constitucionalmente, da ocupação de um determinado local, quando a autoridade estatal local perde o controle da situação e declara isso. Não há necessidade das Forças Armadas participarem. Eventualmente, algum apoio logístico ou material pode ocorrer —, disse.

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Segurança, o ministério autorizou a abertura de 20 mil vagas em cursos de capacitação para policiais do Rio de Janeiro. Esses policiais terão direito a uma bolsa de R$ 400. O valor será pago a quem ganha até R$ 1,4 mil.

As vagas disponibilizadas, de acordo com a secretaria, devem cobrir a quase totalidade da tropa que recebe salário abaixo desse valor. Os saques poderão ser feitos por meio de cartão eletrônico da Caixa Econômica Federal. Os cursos, previstos no Pronasci, começam em até 90 dias.

Complexo do Alemão

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse que o plano para o início das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o conjunto de favelas do Alemão, no subúrbio do Rio, já está pronto. Durante reunião com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o secretário Nacional de Segurança, Antônio Carlos Biscaia, para os últimos acertos do Pronasci (Programa Nacional de Segurança com Cidadania), ele disse que a polícia não vai ocupar a favela em clima de guerra.

— Não vamos entrar no Alemão para ir atrás de criminosos. A polícia vai ocupar o complexo em turno de 24 horas, mas não no espírito de procurar guerra —, afirmou.

Segundo o secretário, já foi encaminhado ao governo federal pedido de apoio logístico da Força Nacional de Segurança, mas não quis falar em números.