Tariq Aziz se entrega aos EUA

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Publicado quinta-feira, 24 de abril de 2003 as 20:23, por: cdb

Tariq Aziz, o principal articulador do governo de Saddam Hussein, encontra-se sob custódia das tropas norte-americanas, segundo informações confirmadas nesta quinta-feira por fontes oficiais dos Estados Unidos. Vice-primeiro-ministro de Saddam, Aziz era o número 43 na lista dos 55 iraquianos mais procurados pelo governo de Washington.

No baralho que orienta os soldados norte-americanos e britânicos sobre os líderes iraquianos que devem ser capturados vivos ou mortos, o ex-vice-premiê figurava como o oito de espadas. De acordo com o Pentágono, Aziz entregou-se as Forças anglo-americana após negociar os termos de sua rendição.

Com a captura de Aziz, sobe para 12 o número de autoridades incluídas no baralho que já estão sob custódia das forças norte-americanas no Iraque.

Aziz, de 67 anos, era o membro do governo de Saddam Hussein que mais aparecia na cena internacional. Fluente em inglês, católico – uma exceção na hierarquia do poder iraquiano – , despontou como o principal estrategista da política externa do regime de Saddam.

Entre suas inúmeras viagens ao exterior, encontrou-se este ano com o papa João Paulo II e com o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em um esforço para impedir a campanha militar norte-americana contra seu país.

– O santo papa e o Vaticano, assim como os líderes em Deus, muçulmanos e cristãos, estão dando o melhor de si para deter esta agressão -, disse, na época, após visitar o pontífice.

Nascido Michael Yuhanna, mudou seu nome para Tariq Aziz, que em árabe significa “Passado Glorioso”. Em 1974, foi nomeado ministro da Informação iraquiano, quando Saddam Hussein ainda era vice-presidente do país. Desde então, sempre fez parte do governo de Bagdá.

Às vésperas da guerra iniciada em 19 de março último pelos Estados Unidos, Aziz apareceu em público para negar rumores de que havia sido morto ou solicitado asilo político a outros países.

Certa vez, Aziz afirmou que “preferiria morrer a ir para Guantánamo” – base dos Estados Unidos em Cuba, para onde foram levados centenas de afegãos após a queda do regime talibã – como prisioneiro de guerra norte-americano.

– Vocês esperam que eu, depois de toda a minha história como militante e líder iraquiano, vá para uma prisão norte-americana, vá para Guantánamo -, indagou, em entrevista à emissora britânica ITN. “Prefiro morrer”.

Sua associação com Saddam Hussein remonta à década de 1950, quando ambos eram militantes do Partido Baath, então clandestino.

Durante a Guerra do Golfo, em 1991, tornou-se mundialmente conhecido ao atuar como ministro do Exterior.