Suspeito de atentados é interrogado pela 3ª vez

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Publicado segunda-feira, 3 de março de 2003 as 10:10, por: cdb

O kuwaitiano Khalid Sheikh Mohammed, 37, preso sob acusação de ser o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, foi submetido nesta segunda-feira ao terceiro dia de interrogatórios.

Especialistas dizem que os agentes norte-americanos e paquistaneses que o ouvem estão especialmente interessados em descobrir planos para novos atentados.

O governo paquistanês voltou a negar os rumores de que Mohammed, preso no Paquistão na semana passada, teria sido levado para outro país.

Um porta-voz da Presidência disse que essa informação é “absurda” e que o suspeito está sendo interrogado conjuntamente por agentes paquistaneses e norte-americanos.

“Vamos anunciar oficialmente quando ele for entregue aos Estados Unidos”, disse o porta-voz.

Outra intenção dos interrogadores, segundo especialistas, é descobrir o paradeiro de Osama bin Laden, o líder máximo da rede Al Qaeda. Mas para Amin Saikal, diretor do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos na Universidade Nacional Australiana, o mais provável é que Bin Laden tenha fugido de onde estava imediatamente após saber da prisão de Mohammed.

“Se os EUA têm certeza de que ele está vivo e querem capturá-lo, não deveriam ter anunciado”, afirmou o professor.

O presidente da Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados dos EUA, Porter Gross, disse que a prisão de Mohammed vai levar “em breve a outras atividades bem sucedidas” e insinuou que tropas dos EUA já estão agindo segundo informações passadas por Mohammed.

Para o escritor e cientista político Ahmed Rashid, um especialista nas atividades da Al Qaeda, o mais importante para os norte-americanos agora é impedir possíveis atentados.

“Houve alertas recentes e eles provavelmente tinham relação com os ataques sendo planejados por Mohammed”, afirmou Rashid, para quem a notícia da prisão pode estar levando à desarticulação de algumas células do grupo.

O brigadeiro da reserva Shaukat Qadir, hoje consultor de segurança, disse que provavelmente Mohammed está sendo torturado para dar informações. “Ficaria surpreso se não fosse assim”, afirmou.

Ele acha que a prisão vai levar à captura de outros militantes importantes, mas não necessariamente de Bin Laden. “Tenho certeza de que ele não sabe do paradeiro do líder”, disse.

Washington oferecia US$ 25 milhões pela captura de Mohammed, que está entre os 22 terroristas mais procurados pelos EUA. O militante é acusado também de ligação com um plano para explodir aviões sobre o oceano Pacífico e de um suposto complô para matar o papa, em 1995.

Há indícios também de que ele participou dos atentados contra embaixadas norte-americanas na África, em 1998, e do ataque ao navio USS Cole, no Iêmen, em 2000.

Um jornal paquistanês afirmou ainda que, segundo a polícia, Mohammed pode ter sido o autor material do assassinato do jornalista Daniel Pearl, sequestrado no Paquistão em janeiro de 2002 quando preparava uma reportagem sobre ativistas islâmicos.