Surpresas no depoimento do Sombra

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Publicado domingo, 21 de dezembro de 2003 as 16:38, por: cdb

O advogado Roberto Podval, um dos que defendem o empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, acusado de ser o mandante da morte do prefeito Celso Daniel, afirmou que o seu cliente vai contar “apenas a verdade” ao juiz Luiz Fernando Migliori Prestes, da 1ª Vara Criminal de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

O primeiro depoimento de Silva à Justiça, no caso que investiga o assassinato do prefeito de Santo André, está marcado para as 13h desta segunda-feira. De acordo com o advogado, a estratégia da defesa não tem segredos:

– Ele (Silva) vai depor e contar a verdade. É simples – declarou Podval, salientando que não haverá surpresas da parte do empresário, que nega qualquer envolvimento no assassinato de Celso Daniel.

O depoimento de Silva estava marcado oficialmente para o dia 19, mas a pedido de Podval foi transferido para esta segunda-feira. Segundo Podval, como ele não teve acesso ao processo com antecedência, não haveria tempo suficiente para a preparação da defesa. O juiz aceitou o pedido de transferência de data.

O advogado disse ainda que o seu cliente, que está preso desde o dia 11 de dezembro, não deverá optar pelo silêncio durante o interrogatório, o que repetiria a estratégia adotada quando o empresário foi convocado para depor no Ministério Público Estadual.

Por ter diploma universitário, Silva está detido na cadeia pública de Juquitiba, na Grande São Paulo, cidade onde o corpo do prefeito foi encontrado em 2002, após o seqüestro em 18 de janeiro. O empresário, que jantou com Celso Daniel antes de ele ser seqüestrado, está preso juntamente com outras 11 pessoas, quase todos presos de baixa periculosidade, como depositários infiéis e pessoas que não pagaram pensão alimentícia.

O desembargador Maurílio Gentil Leite, vice-presidente em exercício do Tribunal de Justiça de São Paulo, indeferiu no dia 12 o pedido dos advogados para que Silva aguardasse o desenrolar do processo em liberdade. Com o pedido de liminar recusado, o empresário terá de aguardar o julgamento do mérito do hábeas-corpus, o que deve ocorrer em cerca de 30 dias.