Surgem na Suíça novas acusações contra Menem

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Publicado terça-feira, 13 de maio de 2003 as 18:14, por: cdb

A apenas alguns dias do segundo turno da eleição presidencial argentina, ressurge, aqui na Suíça, a acusação da existência de dez milhões de dólares, numa conta secreta de Carlos Menem, recebidos do Irã para arquivar as investigações sobre o atentado antisemita, em 1994, que matou 86 pessoas em Buenos Aires.

Coincidência ou não com as eleições, a chegada a Genebra de novos documentos contra Menem, tem por objetivo completar o pedido de colaboração judiciária, depositado na Suíça, em março do ano passado, no Departamento Federal de Justiça, e rejeitado, em agosto, por documentação incompleta.

É provável, como aconteceu no caso do brasileiro Paulo Maluf, que a justiça suíça espere passar as eleições, antes de pronunciar se recebe a carta rogatória da justiça federal argentina, para não influir nos resultados.

Embora o recebimento de uma carta rogatória não signifique o reconhecimento de culpa de Menem, ela implica na existância de alguns indícios, que o candidato adversário, Nestor Kirchner, por sinal neto de suíço, poderá utilizar na campanha eleitoral.

A acusação contra Carlos Menem foi feita por Abdolghassen Mesbahi, desertor do serviço secreto iraniano, durante as investigações sobre o atentado que destruiu, faz oito anos, a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), Buenos Aires.

De acordo com depoimentos colhidos na Alemanha e no México pelo juiz federal José Galeano, o dinheiro depositado na conta de Menem provinha de uma conta controlada por Hashemi Rafsanyani, que, naquela época, era o presidente iraniano. Um funcionário argentino teria ido a Teerã para negociar o depósito num banco de Genebra.

Nos novos documentos entregues à justiça suíça, estariam os nomes do banco e da agência de onde saíram os milhões destinados à conta de Menem.

Em julho passado, Menem confessou ter uma conta na Suíça, não declarada ao fisco argentino, na qual depositara a indenização por ter ficado preso durante a ditadura militar argentina.

Existe na Suíça um outro pedido de colaboração judiciária contra Menem por venda ilegal de armas à Croácia e ao Equador, violando o embargo do Conselho de Segurança da ONU.