Superávit ou investimentos?

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Publicado quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012 as 13:27, por: cdb

Ao apresentar, ontem, as contas do governo central, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, informou o superávit primário em janeiro, de R$ 20,8 bilhões. Trata-se do maior para o mês de janeiro e o segundo maior da história para todos os meses.

Motivo? O resultado positivo do mês passado deu-se em função do bom desempenho da arrecadação e de uma expansão menor das despesas. Augustin também explicou que as transferências para Estados e municípios, tradicionalmente, em janeiro, são menores, o que contribuiu para o resultado.

Augustin comentou também sobre a queda de 17,4% do investimento do governo federal em janeiro deste ano ante o mesmo mês do ano passado. O valor investido caiu de R$ 7,9 bilhões, em janeiro do ano passado, para R$ 6,5 bilhões no primeiro mês deste ano, mesmo com a inclusão do programa Minha Casa, Minha Vida na conta dos investimentos do PAC. Contudo, fez questão de frisar, haverá, sim, em 2012, um crescimento significativo dos investimentos.

Torcida por investimentos

Vamos torcer para que o prognóstico do secretário do Tesouro se concretize e que 2012 seja, de fato, um ano de investimentos maiores, apesar da sua queda momentânea em janeiro, frente a janeiro de 2011.

Por outro lado, o superávit de R$ 101 bi nos últimos 12 meses, “sem o contingenciamento” previsto neste ano, como bem lembrou o secretário, dá uma boa ideia do que custa ao país o serviço da dívida interna. E qual é a urgência da redução da taxa Selic e dos juros médios da economia, hoje em 38% para uma inflação de 5,5%.
A propósito, ao lado desta notícia, temos outra que aponta para um aumento dos juros reais na economia, dado o crescimento da inadimplência.

Preferimos ficar com a promessa do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini. Segundo ele, a redução dos spreads bancários e da taxa Selic são prioridades do governo e da própria presidente Dilma Rousseff. Aliás, o presidente do BC na audiência que compareceu no Senado da República, ontem, destacou a reativação da indústria e defendeu as medidas de defesa comercial que o país tem adotado. Ele ressaltou que não somos os mais ativos nessa área. Mas devíamos sê-lo, acrescento. (Leia mais neste blog)