Suíços se destacam na Copa do Mundo de Mountain Bike

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Publicado quarta-feira, 24 de agosto de 2011 as 12:12, por: cdb

Sete suíços pedalaram forte e chegaram entre os dez primeiros colocados de um total de 139 concorrentes dos quatro cantos do planeta na última etapa da Copa de Mundo de Mountain Bike.

O pódio da Elite, de Cross-Country, em Vale di Sole, em Comezzadura, confirmou a força suíça na categoria masculina. Dos cinco vencedores, três eram os suíços – Nino Schurter, Florian Vogel e Lukas Flückiger, segundo, terceiro e quinto colocados respectivamente.

Mais do que uma descoberta, a Copa do Mundo foi a confirmação de que o tcheco Jaroslav Kulhavy tem uma “marcha a mais”, tal é a supremacia dele sobre os outros concorrentes.
 
Mas os suíços Nino Schurter e Florian Vogel, companheiros de equipe,  venderam caras as próprias peles. Nesta ordem, os dois lideraram a prova do início até a penúltima das seis voltas quando Vogel foi ultrapassado por Kulhavy que partiu para o ataque a Schurter. A vitória, na arrancada final, foi garantida por menos de uma roda de diferença.
 
“Foi uma corrida difícil, de forte calor. Eu não larguei bem, mas consegui ficar junto dos líderes. Acho que o calor representou a parte mais complicada pois tínhamos que beber água suficiente para hidratar”, disse à swissinfo.ch, o campeão nacional, Florian Vogel. Para mim não foi uma surpresa a vitória de Kulhavy, ele é o corredor mais forte neste momento”, afirmou à swissinfo.ch Lukas Flückiger. “Ele estava brincando com a gente. Correu sempre como um trem, veloz. Tenho que estudar um plano para derrotá-lo, mas vai ser muito difícil”, declarou Nino Schurter, com uma ponta de tristeza, pensando ao Mundial da Suíça, na virada do mês de agosto para setembro.

  Espetáculo sobre duas rodas

No público é que não  tinha desilusão. Mais de vinte mil pessoas lotaram o prado e o bosque das redondezas que abrigou a pista “Petite Roubaix”. Subidas curtas e intensas, realizadas a baixa velocidade mas com alto grau de esforço, deixavam o ciclista e o torcedor cara a cara. Este circuito é considerado um dos mais fortes e técnicos da Copa do Mundo e permite uma  verdadeira interação entre o concorrente, a natureza ao redor e a plateia.
 
Não por acaso, a localidade de Daolasa de Commezzadura, encravada nas montanhas das Dolomitas, ficou com a lotação esgotada. E não era difícil chegar ao local da competição. “Basta seguir a confusão. Dez minutos a pé e você chega lá, driblando o engarrafamento de veículos e de gente”, brincou a garçonete de um bar, apontando a fila de trailers parados no acostamento da rua principal.
 
O incentivo aos atletas vinha dos gritos a pulmões abertos, dos sons das cornetas e do barulho dos sinos. A cada curva eles estavam lá, com máquinas fotográficas em punho, prontos para o registro de um momento único e inesquecível do ídolo ou do membro da equipe que pedala como desafio a si próprio. E quem não podia se deslocar aos diferentes pontos do circuito assistia em um telão armado no reta final ou ouvir a narração do locutor oficial, em alto-falantes espalhados por toda a pista.

Truques e segredos

Entre uma prova e outra das diferentes modalidades em disputa, os admiradores da Mountain Bike podiam circular pela vila das equipes. E acompanhar o trabalho atento e minucioso dos mecânicos, descobrir com quantas peças se faz uma bicicleta e toda a estrutura de apoio que sustenta um atleta de ponta.
 
“Sabe, eles castigam muito as bicicletas, nós na retaguarda tentamos dar uma limpeza da poeira, ajustamos os componentes, fixamos tudo para que ela resista aos impactos. Tentamos dar o máximo para cada atleta”, diz à swissinfo.ch, Gery Peyer,  diretor da equipe suíça, SC Intense.
 
Descobre-se, por exemplo, que as “feras” pedalam muito sem sair do lugar. Este treinamento com a bicicleta suspensa serve para aquecer a musculatura pouco antes da prova.  Depois eles vão para os arredores das pistas e testam os equipamentos. Retornam para o trailer e se vestem para a prova. Poucos minutos antes da largada, os fãs puderam ver Nino Schurter e Florian Vogel colocando um colete embutido com água congelada  para resfriar o calor do corpo.
 
Em diferentes pontos do circuito, membros dos times dos atletas monitoravam o desempenho deles. A cada passagem do atleta, ele era informado sobre a posição na corrida e do adversário a ser batido. O grupo de apoio dava ainda instruções sobre os momentos e os locais mais adequados para uma ultrapassagem ou aceleração em função do desempenho dos adversários mais próximos.

(swissinfo)

Cartas na mesa

A competição serviu para os suíços medirem as forças com os adversários que irão encontrar no Campeonato Mundial. Até lá, muitos ciclistas irão treinar nas montanhas, estudar as estratégias para derrotar amanhã os vencedores de hoje.
 
“Temos competido muito e acho que não temos muito tempo para uma preparação especial para o Campeonato Mundial.  Eu espero fazer uma boa corrida e ganhar o título. Este é um esporte que te deixa no meio da natureza, cada pista é diferente da outra. Enquanto pedalo me concentro absolutamente na trilha e busco a melhor linha para percorre-la… depois tudo fica certo”, disse  à swissinfo.ch o ciclista Thomas Litscher, um dos nomes mais fortes do circuito.
 
 É pagar para ver. Pedalando em casa, em Champéry (sudoeste), os suíços esperam subir ainda mais alto nos degraus do pódio.

Guilherme Aquino, swissinfo.ch
Comezzadura