Stédile defende ‘relacionamento soberanao’ do Brasil com FMI

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 7 de setembro de 2003 as 16:04, por: cdb

O economista João Pedro Stédile, um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), defendeu neste domingo, nas manifestações do Grito dos Excluídos, em Aparecida, um “relacionamento soberano” do governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI). “O fundo existe, o Brasil precisa de créditos externos, mas somos soberanos e precisamos ter essa postura soberana”, disse Stédile, dando uma cara mais amena ao velho bordão “Fora FMI”. O governo discutirá a renovação do acordo com o fundo em outubro.

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, já adiantou que o País tentará afrouxar algumas exigências do FMI para que o governo gaste mais em áreas sociais. Questionado se sua posição não era a mesma de Palocci, Stédile, um crítico contundente do ministro e da política econômica, respondeu: “O que ele vai fazer é problema do governo.”

O líder dos sem-terra voltou a pedir uma mudança nos rumos da economia do País, que segue uma política “neoliberal”. “A sociedade votou contra o neoliberalismo, portanto é preciso mudar”, cobrou. Segundo ele, é possível fazer essa mudança e mesmo assim conciliar a relação com o FMI e os “interesses do povo”. “O Brasil é sócio do FMI, pode, além de pegar empréstimos, pedir ao fundo que direcione sua política para África, por exemplo”, disse. “Mas tem de mudar os termos do atual acordo.”

Agradecimento a Alckmin

Ainda em clima conciliador, Stédile agradeceu ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) pelo “apoio” que vem dando ao líder dos sem-terra no Pontal do Paranapanema José Rainha Júnior, preso desde 11 de julho sob a acusação de furto e formação de quadrilha. Na sexta-feira, Rainha e seu colega Felinto Procópio dos Santos, o Mineirinho, também do MST, foi transferidos por questões de segurança do presídio de Presidente Venceslau para o de Presidente Bernardes, que também abriga o traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Agora, segundo Stédile, o MST vai lutar para uma nova transferência. “Vamos pedir para que tragam eles para uma colônia agrícola em São Paulo até o seu julgamento”, disse o líder dos sem-terra, argumentando que, apesar do rígido sistema da penitenciária de Bernardes, Rainha e Mineirinho continuam correndo perigo. O governo tem a informação de que os dois fariam parte de uma lista de pessoas que poderiam ser mortas para lembrar o surgimento do Primeiro Comando da Capital (PCC).