Spike Lee nega querer se vingar de Wim Wenders no júri de Veneza

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Publicado quarta-feira, 8 de setembro de 2004 as 14:39, por: cdb

Spike Lee não tem rancores ou ressentimentos guardados. O diretor norte-americano desmentiu as especulações segundo as quais ele pode querer aproveitar sua participação no júri do Festival Internacional de Cinema de Veneza para vingar-se de Wim Wenders por este ter tirado a Palma de Ouro de Cannes de “Faça a Coisa Certa”.

“Isso foi em 1989. Já é história, é passado”, falou à Reuters Spike Lee, entre um e outro filme no Lido.

Mas fontes ligadas ao cinema têm bons motivos para especular.

Depois que o júri de Cannes, presidido por Wim Wenders, concedeu o prêmio máximo do festival naquele ano a “Sexo, Mentiras e Videoteipe”, de Steven Soderbergh, Spike Lee acusou o júri de discriminação.

Desta vez, Wim Wenders está competindo em Veneza com “Land of Plenty”, um olhar crítico sobre os EUA pós-11 de setembro, enquanto Spike Lee é um dos jurados do festival.

Entretanto, indagado se se deixará influenciar pelo episódio de Cannes quando “Land of Plenty” fizer sua estréia, na quinta-feira, Spike Lee respondeu: “De jeito nenhum.”

Em lugar disso, o diretor, famoso por ser afeito às provocações, disse que está apenas se divertindo, assistindo a todos os filmes.

“É a primeira vez em minha vida que faço parte do júri de um festival”, comentou Lee, usando camiseta cor-de-rosa do time de futebol italiano Juventus e boné também rosa, enquanto descansava num terraço com vista para a praia.

“São poucas as vezes que vou assistir a um filme sem saber ao menos alguma coisa sobre ele, sobre o diretor, os atores, sabe como é. Mas, no caso de metade dos filmes exibidos aqui, não sei nada. É uma mudança grande, e gosto muito disso.”

Presidido pelo cineasta britânico John Boorman, o júri vai conceder o Leão de Ouro em 11 de setembro. Vinte e dois filmes integram a competição principal.

Spike Lee disse que está “tomando notas mentais” sobre os filmes, mas não revelou sua opinião sobre nenhum deles.

Mas não se furtou a comentar uma onda recente de filmes políticos norte-americanos. O homem que influiu sobre a maneira como são vistos os negros americanos, com seus filmes “Faça a Coisa Certa” e “Malcolm X”, disse que o novo documentário de Michael Moore é “magnífico”.

“No dia 3 de novembro as pessoas vão comentar o efeito de ‘Fahrenheit 11 de Setembro”‘, disse Lee, antevendo as eleições presidenciais americanas.

No Lido, o próprio Spike Lee vai apimentar as coisas um pouco com seu novo trabalho, “She Hates Me”, sobre fraude em grandes empresas, cobiça e política sexual. O filme será exibido fora da competição.

“Esse filme poderia ser usado como cápsula do tempo para representar muitas das coisas ruins que estão acontecendo nos Estados Unidos hoje”, disse Lee.