SP Fashion Week revela belezas no segundo dia

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Publicado quarta-feira, 29 de janeiro de 2003 as 14:43, por: cdb

A top Marcelle Bittar, do alto de sua experiência, desfilou pela grife Zoomp, no segundo dia da São Paulo Fashion Week, onde belezas foram reveladas pelos estilistas brasileiros. É o caso da modelo de olhinhos azuis, cabelos castanho-claros, 1m78 de altura, 51 quilos, chamada Gracie Wink. O composit de Gracie Wink, de 15 anos, não é o primeiro nem será o último a trazer essas características ao mundo da moda.

Mas um dado no histórico da new face chama a atenção: antes de debutar em seu primeiro São Paulo Fashion Week – o que fez ontem, de cara emendando os desfiles de Lorenzo Merlino, Reinaldo Lourenço e Iódice -, ela ajudava o pai na roça, pilotando trator na fazenda da família. Gracie vem de Santo Augusto (onde?), cidadezinha de 14 mil habitantes entre Ijuí (hein?) e Três Passos (ah, tá….), no Rio Grande do Sul. É… nem as referências dadas pela modelo servem para colocá-la no mapa, mas a garota agora está trilhando outros caminhos. “Me acharam no colégio”, conta ela, com forte sotaque gaúcho. Quem achou foi Dílson Stein, especialista em caçar beldades pela cidade onde mantém uma escola de modelos.

“Quando fui convidada para fazer o curso e contei para os meus amigos todo mundo riu muito, ninguém acreditou que eu pudesse virar modelo de verdade”, lembra. Não que lhe faltem atributos. A menina apenas vivia da escola para casa, e de casa para a lavoura. Desfiles, roupas, maquiagem, viagens, nada disso era real para ela. Na época, agosto de 2001, Gracie não tinha condições de fazer o tal curso de modelo, mas acabou conseguindo um descontinho para ir às aulas. Providenciou o book e veio, com a escola de beldades, para uma excursão às agências de modelos de São Paulo. Já era julho de 2002 quando a Marylin se interessou por ela – e ela pela agência.

“Como eu queria terminar o primeiro ano colegial, continuei na minha cidade, e só vinha para cá quando tinha algum trabalho”, diz a jovem. Lá, dava duro como ajudante do pai, seu Ilário, na lida das plantações de trigo, milho e soja. “A gente também tem umas vacas, tira o leite para o sustento.” Dirigir trator era a forma de Gracie colaborar na roça, onde sua mãe, dona Edeleta, também dá expediente. Só quem não vai para o campo é Fábio, o caçula da família, de 8 anos. “Ele é muito pequeno, por enquanto só estuda”, pondera.

Para quem nunca se imaginou no mundo da moda, Gracie está começando bem. Mudou-se para São Paulo este mês – que fervilha de trabalhos na área. Fez três desfiles no Amni Hot Spot, dois na Semana de Moda e pegou sete shows na São Paulo Fashion Week.

De cara, enfrentou a passarela vestida de homem, já que esteve no casting da Ellus masculina, que colocou só garotas vestindo sua coleção de rapazes. “Nunca imaginei como era o desfile, agora é que estou descobrindo. É bom, né”, avalia, com pinceladas azuis sobre os olhos, nos bastidores de Reinaldo Lourenço, sendo preparada para mais uma jornada.