Soneto de separação

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Publicado sexta-feira, 19 de outubro de 2012 as 15:05, por: cdb

Por Vinicius de Moraes
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

 Oceano Atlântico, a bordo do Highland Patriot, a caminho da Inglaterra, setembro de 1938.
 De Livro de sonetos. Rio de Janeiro, Cia das Letras, Rio de Janeiro, 2009 (1ª edição: 1957)
 

 

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