Solução para o trânsito de São Paulo requer vontade política, diz ONG

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Publicado quarta-feira, 21 de setembro de 2011 as 12:45, por: cdb

Solução para o trânsito de São Paulo requer vontade política, diz ONG

Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Publicado em 21/09/2011, 13:20

Última atualização às 14:39

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São Paulo – A falta de vontade política e a ausência de políticas públicas eficientes de mobilidade urbana são apontadas como as principais razões para a cidade de São Paulo registrar congestionamentos cada vez maiores de veículos em suas ruas. Do outro lado, o aumento das vendas e do número de usuários de automóvel contribuem para o caos eminente. As conclusões foram apresentadas durante apresentação de um estudo sobre o tema realizado pela Rede Nossa São Paulo, nesta quarta-feira (21).

Segundo a ONG, o percentual de paulistanos que afirmaram usar o carro como principal meio de transporte para locomoção dentro da capital subiu de 15% em 2007 para 23% em 2011. Também impressiona a quantidade de pessoas que afirmaram ter comprado pelo menos um carro nos últimos 12 meses: 38% ante a 28% na medição anterior.

“Esses são fatores que aumentam em muito a quantidade de veículos em circulação na cidade”, conclui o presidente da entidade, Oded Grajew.

Ainda de acordo com a pesquisa, caiu drasticamente o número de pessoas que deixam o carro na garagem para utilizar outra forma de transporte, de  44% em 2008, para os atuais 13% dos pesquisados. A principal razão é a percepção da má qualidade dos serviços públicos de locomoção – ônibus, metrô e trens.

O tempo médio de deslocamento gasto no trânsito diariamente também cresceu. Em 2010, o paulistano levava 2h42minutos para realizar as principais atividades diárias. Este ano, são necessárias 2h49minutos.

Com tudo isso, a conclusão é que, sem opções, a cidade voltará a ter mais um dia de longos congestionamentos nesta quinta (22), apesar de ser o Dia Mundial Sem Carro.

“Quem faz avenida e ponte financia campanha eleitoral. Dá para entender a lógica do sistema”, dispara Oded Grajew.

“A notícia ruim é que a situação é péssima”, afirma o ativista. “A boa é que sabemos como melhorar. Falta vontade política para executar as soluções”, completa. Segundo Grajew, o prefeito Gilberto Kassab (sem partido, rumo ao PSD), errou ao não cumprir as metas de mobilidade urbana propostas em seu plano de gestão.

Entre as principais lacunas deixadas pela administração, a não implantação do Conselho Municipal de Transportes, o desenvolvimento do plano municipal de mobilidade (apesar de um orçamento aprovado de R$ 15 milhões para os trabalhos), figuram entre as mais graves.

Além de criticar a ação “tímida” da Prefeitura para atender as necessidades de mobilidade, Grajew criticou grandes obras voltadas ao transporte individual. “Quem faz avenida e ponte financia campanha eleitoral. Dá para entender a lógica do sistema”, dispara.

Boa vontade

Apesar da redução no número de pessoas que deixam o carro na garagem para realizar deslocamentos pela cidade, cresce a disposição da população de utilizar o transporte público. Em 2009, 40% dos motoristas se dispunham ao transporte coletivo. Atualmente, a proporção é de 60%.

A pesquisa também detectou que 48% dos entrevistados estão dispostos a trocar o automóvel por um menos potente e menos poluente.

“Essa mudança de atitude exige a contrapartida de transporte público decente”, disse Grajew, ao criticar a oferta do serviço aos paulistanos.

Os próprios entrevistados indicaram prioridades para melhorar o trânsito na cidade: construção de mais linhas de metrô e trem, seguido de melhora na qualidade de transporte por ônibus e vans e construção de mais corredores de ônibus ou ampliar os já existentes.

Grajew lembrou que os problemas do trânsito causam problemas à saúde da população. “Perde-se um mês por ano no trânsito de São Paulo”, calcula. “Outros dois anos são retirados dos paulistanos devido à poluição do ar.”

A alternativa para a cidade, aponta o ativista, é dar prioridade total ao transporte coletivo, além de investimentos no transporte alternativo de bicicleta.

Colaborou Fábio Michel