Soldado americano diz ter sido incentivado a torturar

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 30 de agosto de 2004 as 10:24, por: cdb

Em entrevista ao jornal alemão Der Spiegal, um soldado americano acusado no processo que investiga abusos contra prisioneiros iraquianos disse que se arrepende profundamente de seus atos, mas que os abusos foram incentivados pelos serviços de inteligência militar.

O sargento Ivan Frederick disse à revista que as condições na prisão de Abu Ghraib, em Bagdá, eram um “pesadelo”, sem uma linha de comando clara e ordens conflitantes sobre soldados sem treinamento suficiente.

– Eu não sabia quem estava no comando. O batalhão queria uma coisa, a companhia queria outra e o serviço secreto tinha suas próprias idéias. Era o caos – disse.

Investigação especial do exército reconheceu semana passada que houve tortura e mais soldados poderão ir à julgamento, apesar de até agora somente Frederick e outros seis reservistas da polícia militar que serviram em Abu Ghraib terem sido acusados.

Frederick disse depois de uma audiência pré-julgamento na semana passada, na Alemanha, que vai se declarar culpado na corte marcial marcada para 20 de outubro.

– Quero me desculpar com os prisioneiros e suas famílias. E no julgamento vou aceitar a responsabilidade por minhas ações. Mas espero que outros sigam o meu exemplo – afirmou.

Ainda na entrevista o soldado conta que participou do incidente em que prisioneiros iraquianos nus foram fotografados empilhados e que isso aconteceu depois que uma soldada dos EUA foi atingida no rosto por um prisioneiro com uma pedra.

– Hoje sei que estava errado. Por um lado eu estava com muita raiva porque o prisioneiro feriu a soldada. E eles me disseram para humilhá-los.

Segundo Frederick, não houve orientação sobre como lidar com os prisioneiros militares e a inteligência incentivava os soldados usarem quaisquer meios.

– O serviço secreto não colocou nenhum limite. Definitivamente, há mais pessoas responsáveis pelo o que aconteceu em Abu Ghraib, e muitas delas não foram acusadas – disse.