Soja e usinas ameaçam índios e meio-ambiente no Maranhão e Tocantins

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Publicado sexta-feira, 21 de março de 2003 as 18:56, por: cdb

Organizações ambientalistas e movimentos sociais do sul do Maranhão e do Tocantins estão denunciando a situação ambiental da região, sob forte impacto da pecuária e das lavouras de soja, combinado com projetos de obras públicas, hidrelétricas e o descaso dos órgãos de governo para com populações indígenas e os recursos naturais.

As ONG’s estão colhendo assinaturas para levar o documento ao Governo Federal pedindo uma política mais clara para ajudar a preservar biomas importantes, como as áreas de cerrado dos sertões maranhenses, bem como providências para proteger as terras indígenas ameaçadas.

A situação é grave também do ponto de vista social, pois há reservas indígenas ameaçadas e populações entregues à própria sorte, segundo Jaime Siqueira, coordenador da ong Centro de Trabalho Indigenista (CTI). Sarney Filho, ex-ministro do Meio Ambiente e deputado do Partido Verde do Maranhão, foi informado da situação com ameaças a nascentes e a importantes pontos de ecoturismo, tanto em Carolina (MA) quanto no Jalapão e outras micro-regiões do Tocantins.

Leia a íntegra do manifesto:

“A população e movimentos sociais do sul do Maranhão e norte do Tocantins, cujas principais organizações assinam este documento, vêm se manifestar a favor da conservação e proteção do meio-ambiente dessa região, que tem sido alvo de grandes projetos desenvolvidos, em sua maioria, no contexto do programa Avança Brasil. Esses projetos representam modelos de desenvolvimento extremamente predatórios ao meio-ambiente e têm sido implantados sem nenhum planejamento, em relação aos impactos sócio-ambientais que provocam. Assim temos, por um lado, a previsão de construção de inúmeras hidrelétricas no rio Tocantins (entre Palmas e Marabá), de PCH’s no rio Farinha (entre Estreito e Carolina), a implantação de monoculturas de eucalipto na região tocantina, e das monoculturas de soja em todo o norte do Tocantins, no entorno da área indígena Krahô, e no sul do Maranhão, nas proximidades de São Raimundo das Mangabeiras, Riachão e Carolina. Infelizmente as populações dessas regiões estão à mercê desse ‘progresso’ desordenado, uma vez que estão situadas exatamente no caminho do corredor da soja e de uma nova avalanche de grandes projetos, anos depois dos graves impactos já causados pelo Programa Carajás. Gostaríamos, portanto, de manifestar uma reivindicação da sociedade civil organizada e dos movimentos populares daquela região, no sentido de propormos a criação de uma unidade de uso sustentável – um mosaico de unidades de conservação – composta de várias categorias, tais como reservas extrativistas, reservas de desenvolvimento sustentável e, inclusive, a delimitação de um parque nacional no município de Carolina – o Parque Nacional Chapada das Mesas, em função das belezas extraordinárias de suas cachoeiras, rios e morros, e de sua vocação para o desenvolvimento do ecoturismo. É importante ressaltar que a referida área abrange uma faixa de terras que vai de Itacajá (TO) a Porto Franco (MA), estabelecendo uma espécie de ‘corredor’ entre as áreas indígenas Krahô e Apinajé, nas bordas das fronteiras dos estados do Tocantins e Maranhão. Essa área está descrita no documento ‘Avaliação e identificação de ações prioritárias para a conservação, utilização sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade na Amazônia brasileira’, elaborado pelo MMA com apoio de inúmeras ONG’s. Trata-se da área TO 027, de grau 10 de prioridade para intervenção e cuja principal ação recomendada é justamente a criação de UC de uso sustentável unindo as TI’s Apinajé e Krahô. Evidentemente essa área pode ainda ser expandida, incorporando outras Resex já criadas ou em processo de criação, em Imperatriz e Mangabeiras, por exemplo. Além da pressão dos grandes projetos, da presença de áreas indígenas, da riqueza da biodiversidade daquelas áreas de cerrado e de transição para a floresta amazônica, outra justificativa nos parece ser a existência de vários grupos organizados que e