Société Générale perde prestígio após fraude histórica

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Publicado sexta-feira, 25 de janeiro de 2008 as 11:28, por: cdb

Após sofrer a maior fraude já cometida contra um banco na milenar história francesa, o francês Société Générale enfrentou duros questionamentos nesta sexta-feira sobre como falhou em detectar o maior escândalo financeiro já visto, no qual um único operador provocou a perda de US$ 7 bilhões. O Société Générale conseguiu angariar um aporte de capital de 5,5 bilhões de euros (US$ 8,06 bilhões) com a ajuda de seus rivais, mas a questão entre analistas e jornais era por quanto tempo o segundo maior banco francês continuaria independente.

Em anúncios de página inteira nos principais jornais franceses, o presidente da instituição, Daniel Bouton, pediu desculpas aos acionistas do banco, enquanto alguns veículos da imprensa colocavam em dúvida a duração da permissão dada pelo conselho do banco para que Bouton continue no cargo.

“Entendo perfeitamente o desapontamento e a raiva de vocês. Esta situação é completamente inaceitável. Peço que aceitem minhas desculpas e meu profundo pesar”, escreveu Bouton.

Investidores mundiais em geral minimizaram o escândalo. As ações no mercado asiático subiram após um fechamento em alta em Wall Street, provocado pela aprovação de um pacote de estímulo econômico nos EUA pelo presidente do país, George W. Bush, e por líderes do Congresso. O principal jornal diário sobre economia da França, o Les Echos, classificou o desfalque como “o choque que espantou o mundo financeiro”, argumentando que a posição de Bouton havia sido enfraquecida e o banco (7º maior na zona do euro em valor) era agora um alvo potencial para aquisição.

Os funcionários do Société Générale estavam “chocados e em compasso de espera”, afirmou um dos empregados do banco em Hong Kong. O porta-voz do banco, Laurent Tison, disse que os gerentes explicavam a situação para suas equipes, enquanto o banco também procurava manter contato com os clientes. O paradeiro do trader que desprestigiou uma das instituições mais antigas e respeitadas da França era desconhecido.

De acordo com seus colegas de trabalho, o nome do fraudador é Jerome Kerviel, 31 anos, mas o Société Générale se recusou a confirmar esta informação e disse não saber onde ele estava. O banco disse que um empregado júnior em sua mesa de negociação de derivativos, que recebia menos de 100.000 euros por ano, confessou ter realizado uma sofisticada fraude, provocando 4,9 bilhões de euros em perdas quando suas desastradas negociações foram canceladas nos mercados violentamente voláteis.

A advogada Elisabeth Meyer, que representa o operador desaparecido, disse em uma entrevista de televisão que ele não havia fugido e conversaria com a polícia caso convocado. O banco rival BNP Paribas estimou que a exposição do Societé Générale havia sido da ordem de 33 bilhões de euros e outros questionaram se o negociador havia sido usado como uma desculpa para ocultar problemas mais graves no banco relacionados à crise de crédito.

O Banco da França disse que o Société Générale era “sólido”, mas a revelação do escândalo trouxe de volta lembranças do colapso do banco britânico Barings, em 1995, provocado por fraudes do operador Nick Leeson.