Sobe para 12 o número de jornalistas mortos em Bagdá

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Publicado terça-feira, 8 de abril de 2003 as 10:49, por: cdb

Outros três jornalistas internacionais morreram esta terça em Bagdá como conseqüência dos bombardeios anglo-americanos. Com essas mortes, sobe para 12 o número de vítimas entre os enviados da imprensa desde que começou a guerra há 20 dias.

Um cinegrafista da agência britânica Reuters morreu esta terça-feira antes de chegar ao hospital após ficar gravemente ferido no bombardeamento sobre o Hotel Palestine, onde estão a maior parte da imprensa internacional.

Também morreu José Couso, cinegrafista espanhol ferido esta terça no mesmo hotel de Bagdá, que faleceu mais tarde após uma rgi
asgia para amputação de uma perna. Couso trabalhava para Telecinco de Espanha.

Outros três jornalistas que estavam no hotel Palestine ficaram feridos com menor gravidade, disse a jornalista italiana Gabriella Simoni, da televisão italiana.

Em outro episódio, o enviado da cadeia de televisão árabe al Jazira, Tareq Ayoub, morreu está madrugada e outro ficou ferido num bombardeamento aéreo que ao escritório da emissora em Bagdá

O ministro de Informação iraquiana, Mohammade Saede al-Sahaf, acusou aos norte-americanos de “atos histéricos”.

No entanto, um porta-voz do Pentágono confirmou que o tanque disparou sobre o hotel, mas que o fez em resposta aos disparos de um franco-atirador provenientes desse edifício. “Em nenhum momento vi ou escutei franco-atiradores que dispararam do hotel”, acrescentou Simoni, que está hospedada no hotel bombardeado por tanques norte-americanos.

O cinegrafista da Reuters que morreu esta terça, Taras Protsyuk, de 35 anos, era ucraniano e trabalhava para a agência britânica desde 1993.

O redator-chefe de Reuters, Geert Linnebank, disse: “estamos destruídos pela morte de Taras, que se distinguiu por seu grande profissionalismo na cobertura de alguns dos conflitos mais violentos da última década”.

Segundo o testemunho de Gabriella Simoni, da cadeia Tg5, o projétil norte-americano acertou os pisos 14 e 15, destruindo o escritório da Reuters.

“Era cerca do meio-dia em Bagdá. Eu estava 16° andar do hotel quando senti o estouro e me vi envolta em vidros e fumaça. O disparou acertou os pisos 14 e 15, do lado que fica de frente ao Rio. Essa parte do edifício estava cheio de jornalistas, porque desde lá se vê a zona das operações”, contou Gabriella.

O correspondente da cadeia Sky News em Bagdá, David Chater, assegurou que o ataque ao hotel Palestine “não foi um acidente”. “Não escute nem um só disparou proveniente de nenhuma zona próximo, e certamente nenhuma do hotel”, disse Chater.

Segunda-feira morreram, atingidos por um míssil iraquiano, o enviado especial do semanário alemão Focus, Christian Liebig, e o enviado do jornal espanhol O Mundo, Julho Anguita Parrado.

Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano expressou hoje as condolências do governo norte-americano à cadeia Al Jazira pela morte do jornalista em Bagdá.