Sob ataques, Maia prega voto útil para evitar 2o turno no Rio

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Publicado segunda-feira, 27 de setembro de 2004 as 17:18, por: cdb

Na reta final da campanha, o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), líder nas pesquisas, adotou uma nova estratégia para tentar definir a eleição já no primeiro turno –o voto útil.

“Chegamos a um ponto da eleição em que (…) a hierarquia dos candidatos já está definida e consolidada”, disse Maia em comício realizado no domingo em Copacabana, na zona sul.

O prefeito citou de memória números de pesquisas dizendo que tem 45 por cento das intenções de voto, à frente do senador Marcelo Crivella (PL) e do vice-governador e ex-prefeito Luiz Paulo Conde (PMDB), que, segundo Maia, somam 26 por cento.

“Lá atrás ficam (Jorge) Bittar, Jandira (Feghali) e outros candidatos com votação menor com apenas 13 por cento do eleitorado, o que mostra que não têm mais chance de crescer”, afirmou.

Segundo o raciocínio de Maia, a diferença entre sua candidatura e as outras somadas seria de 5 por cento. “Portanto, quem votar em Bittar ou em Jandira está votando em Crivella e no segundo turno”, concluiu.

Para o cientista político do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea (Cpdoc) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Carlos Eduardo Sarmento, “Maia está às vésperas de ganhar no primeiro turno por causa da fragilidade dos outros”.

O principal adversário de Maia é Crivella, que representa parte dos evangélicos do município –os ligados à Igreja Universal do Reino de Deus. O senador, no entanto, tem um índice de rejeição elevado.

Outro candidato que tentou colar sua imagem ao eleitorado evangélico, embora sem muito êxito, foi Conde, ligado ao grupo do ex-governador Anthony Garotinho. Nesse caso, os votos viriam da Assembléia de Deus. Conde está em terceiro lugar nas pesquisas.

Em quarto aparece Jorge Bittar (PT). Mesmo com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o marqueteiro Nizan Guanaes, Bittar não deslanchou.

Os analistas atribuem seu fracasso à ausência de carisma, ao descontentamento dos cariocas com o governo federal e à rara presença da militância petista nas ruas.

O Rio foi uma das cidades que mais rendeu votos a Lula em 2002. No segundo turno, ele teve 81 por cento dos votos da cidade. “Há um sentimento de que o presidente não retribuiu à votação”, avaliou Sarmento.

Com quase o mesmo percentual de intenções de voto que Bittar, em torno de 5 por cento, está Jandira Feghali (PCdoB). Sua candidatura foi outro fator de enfraquecimento do PT, pois dividiu o voto do eleitorado mais à esquerda.

ALIANÇA ANTI-GAROTINHO

Para o cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC-Rio, foi formada uma “aliança informal” entre PFL, PSDB e PT contra Anthony Garotinho no Estado do Rio.

O hoje secretário de Segurança Pública do governo de sua mulher, Rosinha Matheus, obteve um resultado surpreendente na eleição presidencial de 2002 e pode complicar o cenário da sucessão presidencial em 2006.

Cesar Maia chegou a encontrar-se com o candidato do PT para a prefeitura de Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), Lindberg Farias, cujo vice é do PSDB. Também declarou apoio ao candidato à reeleição de Niterói, Godofredo Pinto (PT).

O casal Garotinho vem reagindo à aliança. Recentemente, os dois ameaçaram cortar o repasse de verbas estaduais a municípios cujos prefeitos eleitos sejam seus adversários.

Nos últimos dias, Maia tem sido o principal alvo de ataques dos demais candidatos. “Um ano e meio atrás, o prefeito era considerado o pior de todo o Brasil nas pesquisas”, disse no domingo Crivella.

O senador acusa Maia de ter guardado recursos para concentrar a inauguração de obras no último ano de mandato.

“Mas isso é uma coisa socialmente perversa; o governo não tem o direito de guardar para aplicar na reta final, pois nesse período, enquanto ele guarda dinheiro, as pessoas morrem nos hospitais, as crianças não vão à escola”, criticou.

Conde, por sua vez, disse que o prefeito tenta manipular a população e a mídia. “Nós é que vamos estar no segundo turno contra Cesar Maia, e não o senador Crivella”, di