Só hecatombe ou catástrofe tiram vitória de Lula, diz analista

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Publicado sexta-feira, 18 de outubro de 2002 as 21:26, por: cdb

A cientista política Lúcia Hipólito, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, acredita que apenas “uma hecatombe ou uma catástrofe” poderá tirar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial. “É muito difícil que ele seja derrotado”, disse, ao comentar o resultado da última pesquisa CNT/Sensus/IstoÉ, que dá 65,8% dos votos válidos a Lula e 34,2% a José Serra (PSDB).

Segundo ela, os índices dessa pesquisa são consistentes com o de sondagens anteriores e também com o resultado do primeiro turno. O crescimento da rejeição de Serra que, segundo essa pesquisa subiu para 52,5%, também aponta a dificuldade de reversão desse quadro. “É uma rejeição a um estado de coisas e um conjunto de forças que vem governando esse País”, afirmou Lúcia, ponderando que a maioria eleita para o Congresso e Assembléias Legislativas também é oposicionista. “É uma rejeição só comparável aos resultados de 74, quando a começou o fim da ditadura”.

A estratégia do medo, adotada pela campanha de Serra contra Lula, é “muito perigosa”, na avaliação da cientista política. “Tenho receito da utilização desse tipo de estratégia. Por isso, grandes políticos nunca usam isso. É uma faca de dois gumes”, disse, ponderando que campanhas negativas podem se reverter contra os autores.

A participação da atriz Regina Duarte, que disse ter medo de ver Lula eleito, não deve ter grande impacto, segundo ela. “Aquele texto parecia um texto decorado. Não parecia um texto da própria Regina”, analisou Lúcia, dizendo que a atriz “entrou numa roubada”, ao gravar aquele depoimento anti-Lula.

De acordo com ela, se Serra tivesse buscado o apoio de prefeitos numa fase anterior da campanha, teria seguido uma estratégia com maiores chances de sucesso. Ao contrário, na avaliação dela, o candidato cercou-se de “uma confederação de derrotados”, citando o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, e dos presidentes do PFL, Jorge Bornhausen, e do PSDB, José Aníbal – todos derrotados nas urnas.