Situação na Península da Coreia torna-se volátil

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Publicado segunda-feira, 4 de setembro de 2017 as 09:37, por: cdb

Após teste nuclear, Coreia do Sul diz que Pyongyang prepara novo míssil. Washington e Seul anunciam reforço defensivo. EUA e Japão defendem “pressão máxima” sobre norte-coreanos. Conselho de Segurança convoca reunião

Por Redação, com DW – de Seul:

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul afirmou nesta segunda-feira que a Coreia do Norte iniciou preparativos para lançar outro míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) a qualquer momento.

Televisão sul-coreana mostra disparo de míssil norte-coreano

No domingo, a Coreia do Norte testou uma suposta bomba de hidrogênio, um artefato termonuclear que, segundo o governo do país, pode ser instalado em um míssil intercontinental – o que, se confirmado, representaria um importante e perigoso avanço em suas capacidades militares. Trata-se do sexto e mais potente teste nuclear executado pela Coreia do Norte até o momento.

O anúncio do teste foi feito pela agência de notícias estatal norte-coreana KCNA depois que agências geológicas internacionais registraram um terremoto artificial; (provocado pelo homem) no nordeste do país. Este ocorreu pouco depois da detonação subterrânea do artefato, que parece ter sido testado sem o míssil.

Em resposta ao teste, o Ministério de Defesa sul-coreano informou nesta segunda-feira que Estados Unidos e Coreia do Sul planejam posicionar um porta-aviões nuclear; vários bombardeiros e outros equipamentos estratégicos na península coreana. Incluindo a controversa implantação do Terminal de Defesa Aérea para Grandes Altitudes (Thaad); que irritou a China, principal parceiro comercial de Seul, e que fora adiada desde junho. Pequim classifica o poderoso escudo antimísseis dos Estados Unidos de uma ameaça à sua segurança.

Exército sul-coreano

Além disso, o Exército sul-coreano realizará manobras com fogo real da qual participarão caças F-15K equipados com mísseis de ar-terra Taurus. Segundo informação do Ministério sul-coreano no seu relatório à Assembleia Nacional (Parlamento), publicado pela agência local Yonhap.

O anúncio de Seul foi feito poucas horas depois dos exercícios com fogo real realizado pelo país; nos quais ensaiou ataques a instalações nucleares norte-coreanas em resposta ao teste realizado por Pyongyang na véspera. Os exercícios sul-coreanos incluíram o disparo de mísseis.

“Todos os meios, inclusive atômicos”

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou a determinação de seu governo, de “defender os EUA e seus aliados com todos os meios disponíveis; diplomáticos, convencionais e atômicos”. 

– Não estamos buscando uma aniquilação total de um país, a Coreia do Norte – disse o secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis; após uma reunião com Trump e sua equipe de segurança nacional. “Mas, como eu já disse, temos muitas opções para fazê-lo”, alertou.

ONU

O Conselho de Segurança da ONU convocou para esta segunda-feira uma sessão extraordinária para debater novas sanções contra a Coreia do Norte. Diplomatas informaram que o órgão poderia agora considerar a proibição das exportações de têxteis de Pyongyang e da companhia aérea nacional; suspender o abastecimento de petróleo para o governo e para o setor militar do país; impedir que norte-coreanos trabalhem no exterior e incluir funcionários de alto escalão em uma lista negra para sujeitá-los a congelamento de ativos e proibições de viagem.

O governo do Japão afirmou que o ministro japonês do Exterior, Taro Kono; e o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, concordaram. Após conversa telefônica, que Japão e os Estados Unidos devem “exercer pressão máxima” sobre a Coreia do Norte após o sexto teste nuclear do país.

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o premiê japonês, Shinzo Abe, concordaram, após conversarem por telefone; que a ONU deve definir sanções mais duras.

– Ambos concordaram em cooperar estreitamente entre si e com os Estados Unidos e compartilham o entendimento de que devem ser aplicadas sanções mais duras contra a Coreia do Norte – afirmou um porta-voz do governo sul-coreano.

Protesto chinês

A China informou nesta segunda-feira que enviou um protesto oficial à representação diplomática chinesa de sua aliada; a Coreia do Norte após o teste nuclear de Pyongyang.

– A China se opõe ao desenvolvimento de mísseis nucleares pela Coreia do Norte e estamos comprometidos com a desnuclearização da península. Esta posição é bem conhecida, e a Coreia do Norte também conhece esta posição perfeitamente – disse o porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Geng Shuang, em entrevista coletiva.

– A Coreia do Norte deve estar bastante certa disso, então esperamos que todas as partes – especialmente o lado norte-coreano; possam exercer restrições e abster-se de aumentar as tensões – complementou.

Geng não disse se Pequim, que por muito tempo hesitou em colocar pressão econômica sobre Pyongyang; apoiaria novas sanções ao regime.

O anúncio do teste de domingo realizado pela Coreia do Norte provocou uma explosão cinco vezes maior do que o último teste, há um ano. De acordo com a Coreia do Sul; e pode ser sentida em cidades chinesas a centenas de quilômetros da fronteira norte-coreana.