Síria tenta mostrar uma nova imagem ao Ocidente

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Publicado quarta-feira, 16 de janeiro de 2002 as 23:12, por: cdb

Após ter passado os últimos 20 anos em uma prisão por ser um alto membro da Irmandade Muçulmana, Khalid al-Shami repentinamente se viu livre em uma noite no mês passado, perdido em uma capital que ele não mais reconhecia.

“Não consegui encontrar a minha casa porque tudo está mudado”, disse Shami. “Eu não sabia onde estava”. Ele deu entrada em um hotel após convencer o gerente de que o homem de 40 anos, cabelos escuros, em sua carteira de motorista vencida e passaporte era realmente ele.

Shami se coloca entre os sortudos. Em fevereiro de 1982, poucas semanas após sua prisão, a Síria suprimiu a insurreição de sua Irmandade, primeiro com armas, depois com escavadeiras, nivelando bairros inteiros na cidade de Hama, massacrando cerca de 10 mil moradores. Milhares de outros membros da Irmandade Muçulmana foram presos e nunca mais vistos.

Por anos, apenas comentários obscuros eram feitos sobre os eventos em Hama. Mas desde 11 de setembro, as coisas mudaram. A Síria hoje busca dar um novo aspecto à sua experiência em asfixiar o extremismo muçulmano, que agora afirma ter sido uma campanha anti-terrorismo.

O governo demonstra um senso de justificação, sendo hoje o que já foi um dia condenado como uma abominação aos direitos humanos uma possível ajuda para melhorar o difícil relacionamento com Washington. As agências de inteligência da Síria estão até mesmo compartilhando suas informações sobre células militantes no ocidente, recebendo elogios das autoridades americanas.

Mas em uma destas estranhas reviravoltas da diplomacia, a Síria permanece firmemente estacionada na lista do Departamento de Defesa americano de países que apóiam o terrorismo.

A Síria, de sua parte, continua a manter sua posição de crítica aos Estados Unidos e já está utilizando sua nova cadeira no Conselho de Segurança da ONU para focalizar a atenção no fim da ocupação israelense em terras árabes, enquanto afirma que o papel americano nas negociações de paz no Oriente Médio é muito tendencioso.

“As relações existem em dois níveis”, disse Imad Fawzi Shueibi, analista político e professor na Universidade de Damasco”. “Publicamente há conflito, mas, em um segundo plano, os Estados Unidos sabem que precisam dos sírios”.