Síria não é ‘incubadora’ do EI, diz Bashar Al Assad

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 19 de novembro de 2015 as 13:34, por: cdb

Por Redação, com agências internacionais – de Beirute/Moscou:

O presidente sírio Bashar Al Assad declarou, que o seu país, devastado pela guerra, não é a “incubadora” do grupo Estado Islâmico, culpando o ocidente pela criação de organizações jihadistas.

– Posso afirmar que o Daesh (nome árabe do Estado Islâmico) não tem uma incubadora natural, uma incubadora social, na Síria – disse o presidente, em entrevista à emissora de televisão italiana RAI.

O presidente sírio Bashar Al Assad
O presidente sírio Bashar Al Assad

O treinamento de jihadistas na Síria para os ataques de Paris de sexta-feira passada foi feito devido ao apoio da Turquia, Arábia Saudita e do Catar “e, claro, das políticas ocidentais que apoiaram os terroristas de diferentes modos”, acrescentou.

Segundo ele, o Estado Islâmico “não começou na Síria, começou no Iraque e, antes disso, no Afeganistão”. Bashar Al Assad citou o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que afirmou que “a guerra do Iraque ajudou a criar o Estado Islâmico”. A confissão de Blair “é a prova mais importante”, afirmou.

Mais de 250 mil pessoas morreram no conflito na Síria e milhões fugiram, à medida que o Estado Islâmico assumiu o controle de vastas áreas dos territórios sírio e iraquiano, geridas sob severa interpretação da lei islâmica.

Assad defendeu que não pode haver qualquer calendário de transição para as eleições enquanto partes do país estiverem controladas por rebeldes.

– Esse calendário se inicia depois de começarmos a vencer o terrorismo. Não se pode conseguir nada em termos políticos enquanto houver terroristas a se apoderar de muitas áreas na Síria – disse.

Depois disso, “um ano e meio, dois anos são suficientes para qualquer transição”, comentou.

Guerra moderna

O analista político baseado em Nova York Nikolay Pakhomov escreveu para The National Interest que a campanha de contraterrorismo da Rússia na Síria ainda não acabou, mas já mostrou que Moscou tem tudo o que é necessário para conduzir uma guerra moderna.

 – A Rússia está realizando um tipo de campanha recentemente visto sendo executada apenas pelos EUA ou sob a liderança norte-americana. Ataques aéreos a partir de uma base estrangeira, mísseis de cruzeiro, diferentes tipos de reconhecimento de espaço e eletrônico, não há unidades de força por terra envolvidas, drones, coordenação estreita entre Marinha e Aeronáutica, cooperação com forças armadas estrangeiras: todo isto é sinal de uma operação típica de guerra moderna – observou o especialista.
Pakhomov ainda destacou que a campanha da Rússia na Síria é transparente, com volumes de informação sobre o número de saídas, área de operação etc. disponíveis a cada dia. A operação aérea bem-sucedida contra o Estado Islâmico também demonstrou, segundo ele, que Moscou é, em primeiro lugar, um aliado leal que não tem medo de tomar decisões corajosas em tempos difíceis.

– A Síria é considerada como um aliado da Rússia no Oriente Médio: o presidente (Bashar) Assad pediu ajuda a Moscou e a Rússia permaneceu com seu aliado em circunstâncias muito difíceis – observou ele.

Ao mesmo tempo, a Rússia tem trabalhado incansavelmente para conseguir o apoio dos principais interessados na região. Segundo destacou Pakhomov, Moscou manteve-se em contato com Iraque, Egito, Turquia, Arábia Saudita, Israel e todos aqueles que manifestaram desejo na luta contra o Estado islâmico e similares, independentemente da forma como estes países visualizam os esforços russos.Esta iniciativa, de acordo com o analista, tem reforçado significativamente o perfil estratégico da Rússia no Oriente Médio. Além disso, a campanha na Síria mostra claramente que Moscou não tem medo de agir quando é necessária uma ação, avalia o especialista. O tempo dirá se a ousadia compensa, mas é uma qualidade bem-vinda “nos tempos atuais de escrutínio público global, de sobrecarga de informação e da procrastinação política universal”, como descreveu.