Síria acusa Israel de “desestabilizar” o Oriente Médio

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Publicado segunda-feira, 27 de setembro de 2004 as 16:28, por: cdb

O ministro sírio do Exterior, Faruk al Chara, acusou nesta segunda-feira Israel de ser o elemento “desestabilizador” no Oriente Médio com suas medidas de opressão do povo palestino e de acumulação de arsenal nuclear.

O ministro centrou no conflito árabe-israelense boa parte de seu discurso na 59ª Assembléia Geral da ONU, pronunciado apenas algumas horas depois do assassinato, na Síria, do dirigente islâmico palestino Azedín Esheij Jalil.

Se o governo israelense, presidido por Ariel Sharon, se recusou a fazer qualquer comentário sobre o atentado em Damasco, alguns meios atribuem o assassinato às forças do Estado judeu.

Na ONU, o ministro indicou que a política desenvolvida por Israel, especialmente pela sua expansão nos territórios palestinos, pela “sabotagem” do processo de paz e pela acumulação de um “arsenal” nuclear o caracteriza como principal elemento “desestabilizador” da região.

Denunciou, além disso, que Israel tenta ocultar os assentamentos de colonos em terras palestinas e a expansão do muro de separação “racista”, como “atos de auto-defesa”, que a comunidade árabe rejeita totalmente.

O ministro fez um apelo à Israel, para que ponha fim à política de assentamentos e retome as conversações de paz, depois do convite feito por parte de palestinos, sírios e libaneses.

Al Chara condenou os atos terroristas no mundo todo, e mencionou especialmente o seqüestro e assassinato de civis no Iraque, assim como as execuções extrajudiciais de palestinos por parte das forças militares de Israel.

Segundo ele, o mundo árabe, e especialmente os países pobres, se perguntam “por que os países preferem enviar milhares de soldados e gastar milhares de milhões de dólares para derrubar um regime, quando este dinheiro poderia ser gasto em projetos de educação e progresso nesses países”.

“Como podemos justificar que os mais poderosos tenham decidido impor sanções em alguns países, em vez de investir em prosperidade e desenvolvimento?”, disse.

“A história teria nos demonstrado que as soluções militares são mais adequadas para erradicar a pobreza ou a fome do que as iniciativas políticas ou econômicas?”, acrescentou.

Sem mencionar os Estados Unidos, o ministro atribuiu as recentes campanhas militares que aconteceram no mundo às “políticas extremistas e intolerantes de alguns países, decididos a encontrar um inimigo a qualquer custo, depois da queda do bloco da União Soviética”.

Para o político sírio, o governo israelense “incita” os Estados Unidos a travarem batalhas intermináveis no Oriente Médio.