Sionismo e escravidão tornam-se temas dominantes em congresso da ONU

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Publicado sexta-feira, 31 de agosto de 2001 as 19:25, por: cdb

Racismo, sionismo e reparação pelos danos causados pela escravidão são os temas dominantes na conferência da ONU inaugurada hoje em Durban, na África do Sul, em presença de 30 chefes de Estado, mais de 100 ministros e mil delegados procedentes de mais de 130 países.

Por pressão da Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Mary Robinson, os países que participam da Liga Árabe renunciaram a fazer constar dos textos escritos da conferência a equação “sionismo igual a racismo”.

Segundo uma resolução adotada pela ONU em 10 de novembro de 1975, “o sionismo é uma forma de racismo e de discriminação racial”; mas uma resolução também da ONU de 16 de dezembro de 1991 revogou o paralelo entre racismo e sionismo.

No entanto, os países árabes islâmicos ressaltaram em um documento a “necessidade de que cesse a agressão isralense contra o povo palestino” e pediram que as práticas israelenses sejam qualificadas como “crimes contra a humanidade”.

Os EUA, que se opuseram à tentativa da Conferência de aprovar uma equiparação entre sionismo e racismo – e, portanto, a uma condenação explícita a Israel -, decidiram não enviar a Durban o secretário de Estado, Colin Powell, substituído por uma delegação de baixo nível. O Canadá anunciou na quinta-feira uma medida análoga.

Muitos Estados africanos pedem que em Durban seja firmado um compromisso não só para reconhecer a escravidão como crime contra a humanidade como para que seja criado um mecanismo que permita aos descendentes dos escravos receberem uma compensação financeira pelos sofrimentos infligidos pelo Ocidente a seus antepassados.

A China também apoiou o pedido de indenização. Mas os EUA não estão dispostos a colaborar. O tema corre ainda o risco de exacerbar alguns conflitos na África – como no Zimbábue, onde há mais de um ano se desencadeou uma espécie de “caça aos brancos”. Uma solução possível seria a de que os países ocidentais financiassem um futuro plano de desenvolvimento para os países africanos.

Outro tema se refere às formas de discriminação em curso dentro de diversas sociedades, como acontece por exemplo com as castas na Índia e com os rom (ciganos) na Europa. Justamente sobre esse tema o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, foi duramente questionado na quinta-feira em Durban por um representante dos dalits – a casta dos “intocáveis” indianos – durante o foro das ONGs.