Sinfônica do Estado de São Paulo faz bonito na Suíça

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 5 de novembro de 2003 as 16:56, por: cdb

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo terminou, nesta quarta-feira, na cidade suíça de St. Gallen, sua tournée pela Alemanha e Suíça com a mesma reação do público – explosão de aplausos e standing ovation
.
“John Neschling é um Bartok brasileiro”, escreveu o crítico musical do jornal Tribune de Genève, ainda sob a sedução da riqueza de sonoridade dos músicos brasileiros. Em Berna, capital suíça, a insistência dos aplausos do público de pé ganhou uma composição extra, fora do programa, de sabor bem brasileiro – Mourão, de Guerra Peixe, com rítmo marcado pelos pés dos músicos e um clima de gingado que entusiasmou o público.

Foram duas semanas puxadas para os 102 músicos, numa média de um concerto cada dois dias, que levaram consigo seus instrumentos, só ficou em São Paulo o piano. No programa, um obrigatório Villa-Lobos, como também na Alemanha, era obrigatório um Brahams. “Villa-Lobos é sempre atual, é um grande compositor, diz John Neschling.Tocar Villa-Lobos para nós é tão importante como Sibelius para os finlandeses. É a música de um gênio, de um grande compositor reconhecido internacionalmente, não uma coisa bairrista”.

O programa da tournée incluía o Mandarim Maravilhoso, de Bela Bartok, valorizado pelos metais e percussão. O apogeu é obtido com as festas Romanas, de Ottorino Respighi.
John Neschling detesta dar entrevistas, mas aceitou uma conversa rápida.

Ensino musical anda desleixado

Correio do Brasil – Existe um distanciamento da juventude com relação à música clássica?

John Neschling – Não, sempre foi assim.e sempre será assim. A música clássica sempre exigiu um preparo maior, uma calma maior, uma paz maior e um engajamento maior do expectador e ouvinte. Isso sempre foi assim. Geralmente o publico de música clássica não é muito jovem, nunca foi muito jovem. O gosto pela música clássica chega mais tarde, assim como a literatura mais pesada é curtida pelas pessoas mais velhas. Não há nenhuma decadência do gosto musical e a música clássica tem cada vez mais público.

CdB – Qual, então, a parte da juventude na música clássica?

John Neschling – Há uma parte da juventude que gosta, assim como existe uma parte da juventude que lê. Existe jovens que não lêem e que nao ouvem música clássica. Sempre foi assim. E a parte que ouve música clássica é cada vez maior porque a população cresce. Basta se vez a quantidade das gravações e como as salas de concertos ficam lotadas. No Brasil também, quando existe boa qualidade existe bom público.

CdB – Não se tem deixado de lado o aprendizado da música clássica pela juventude?

John Neschling – Não existe uma programação especial para jovens. Existem programas mais fáceis e mais difícies. Os adultos, jovens, velhos, vão assistir segundo seus interesses. Educação musical é coisa que tem de ser feita desde criança. É importante uma educação musical nas escolas, mas isso está desleixado tanto no Brasil, como no resto do mundo.

CdBA experiencia do Eleazar de Carvalho funcionou?

John Neschling – E muito, nós fazemos isso e ainda muito mais desenvolvido.

CdBAgora com um governo popular não é hora de interessar os jovens?

John Neschling – Isso não tem nada a ver com governo popular, que geralmente se interessa por outras coisas do que música clássica. Nós somos uma instituição cultural que fazemos o trabalho que o Eleazar fazia de concertos para a juventude, em termos maiores. A Orquestra Sinfônica do Estado é uma instituição enorme com 300 funcionarios.