Sindicalistas são ameaçados de morte em SP

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Publicado sexta-feira, 23 de maio de 2003 as 10:53, por: cdb

Sindicalistas opositores à diretoria detida do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo denunciaram que estão sofrendo ameaças de morte. As intimidações teriam sido dirigidas a possíveis testemunhas de acusação contra os 15 dirigentes detidos, e seriam executadas por aliados dos presos. A Polícia Federal já providenciou proteção a uma das testemunhas.

Nesta quinta-feira, mais um sindicalista se entregou à Polícia Federal em São Paulo. José Domingos da Silva, conhecido como “Dominguinhos”, é o 15º integrante do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo preso após denúncias de cobranças de propina, corrupção e assassinatos na entidade.

No início da tarde dquinta-feira, o diretor Paulo César Barbosa, o Paulão, entregou-se à Polícia Federal. A corporação ainda está a procura de José Valdevan de Jesus e de um nome não divulgado. Todos os presos permanecem na sede da Polícia Federal na capital paulista com pedido de prisão temporária, que vence na próxima sexta-feira.

Os sindicalistas são acusados de receber propina de empresários do setor de transporte para incentivar as paralisações da categoria na cidade de São Paulo. Existe também a suspeita de que o sindicato recebesse 5% de propina dos empresários do transporte sobre contratos firmados com empresas de seguros.

Na tarde de terça-feira foi preso Gérson da Silva Machado, o “Fubá”. Pela manhã de terça-feira, Edvaldo Gomes da Silva, conhecido como Dentinho, já havia se entregado. A polícia investiga a ligação entre Edvaldo e o presidiário Severino Teotônio do Nascimento, acusado de matar três sindicalistas, entre eles o ex-presidente do sindicato dos motoristas de Guarulhos.

O presidente do sindicato, Edivaldo Santiago, e mais oito diretores – Antônio Ferreira Mendes, José Otaviano de Albuquerque, Luis Carlos Antonio, Issao Hosogi, Francisco Xavier da Silva Filho, José Simeão da Lima, Renato Souza de Oliveira e Edvaldo Lima da Silva – foram presos segunda-feira nas suas residências e levados à superintendência da Polícia Federal.

Geraldo Diniz da Costa e Jorge Luiz de Jesus entregaram-se espontaneamente à Polícia Federal na tarde de segunda-feira. Foram detidos também três seguranças, entre eles um policial militar, que protegiam o presidente do Sindicato. Conforme a Polícia Federal, são funcionários da Viação Campo Belo, e por isso não deveriam prestar serviços para o Sindicato.

Os 17 diretores do sindicato, 14 já presos e três ainda procurados, são acusados de se beneficiar com o pagamento de propina de viações de ônibus para a realização de greves. A relação criminosa, conhecida como “locaute”, visaria a pressionar a Prefeitura a aumentar tarifas e conceder subsídios às empresas.

A operação, denominada Roda Livre, é realizada em conjunto entre a Polícia Federal, o Ministério Público e promotores. Além de apurar o suposto pagamento de propinas, a força-tarefa também investiga as oito mortes de sindicalistas ocorridas nos últimos três anos. Os empresários do setor de transportes também estão na mira das investigações, e dez deles já têm os nomes relacionados para prestar depoimento.