Silva Lopes opõe-se a privatização da água

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Publicado quinta-feira, 22 de setembro de 2011 as 11:45, por: cdb

Ex-governador do Banco de Portugal afirma que, com a privatização da água, “os preços vão subir muito para os consumidores”. Silva Lopes opõe-se ainda a financiamento, por parte da CGD, de “operações capitalista de privados”, à redução da TSU e alerta para a “falta de informação e controlo sobre as finanças públicas em Portugal”.Artigo |22 Setembro, 2011 – 18:14Foto de Paulete Matos.

Em entrevista ao Jornal de Negócios, o economista José Silva Lopes defende que “privatizações na água é um bocado perigoso” porque se trata de um sector “não concorrencial”, onde, mediante a privatização, “os preços vão subir muito para os consumidores”.

O ex-governador do Banco de Portugal (BdP) também afirmou ao Jornal de Negócios que não compreende e nem aceita que a Caixa Geral de Depósitos “tenha andado a financiar operações capitalistas de privados, para comprar acções aqui e acolá”. Segundo Silva Lopes, “o governo tem a responsabilidade de divulgar” quanto emprestou, e a que empresas, para operações de capital.

Quanto à redução da Taxa Social Única (TSU), José Silva Lopes afirma-se contra a medida, já que a mesma teria pouco efeito sobre os bens não transaccionáveis”. “ O grande problema da economia portuguesa é que favorece demasiado os bens não transaccionáveis”, sendo que “todas as empresas portuguesas que estão na bolsa e têm lucros grandes são desse sector”, defende o economista.

Silva Lopes defende que Portugal precisa de um “controlo de preços” em alguns sectores onde “não há concorrência”.

Perante o buraco nas contas da madeira, o ex-governador do BdP alerta para a “falta de informação e controlo sobre as finanças públicas” e sublinha que “desde há muitos anos não sabemos qual é o défice em Portugal e não sabemos o verdadeiro tamanho da dívida, porque o nosso sistema contabilístico regista umas coisas e não regista outras”. “Temos buracos por todo o lado”, realça Silva Lopes.

Apesar de não se opor à disponibilização dos 12 mil euros a favor da banca, para que esta atingisse os rácios exigidos, o economista não entende “ que um banco peça ao Estado para entrar no capital e continue a distribuir dividendos”. “É inaceitável”, conclui Silva Lopes.