Sete soldados dos EUA feridos num ataque com granadas em Faluja

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Publicado quinta-feira, 1 de maio de 2003 as 15:30, por: cdb

Duas granadas foram jogadas nesta quinta-feira por cima do muro dentro de uma antiga delegacia de polícia abrigando tropas dos EUA na tensa cidade de Faluja, ferindo sete soldados poucas horas depois que os americanos abriram fogo contra manifestantes antiamericanos na cidade.

Nenhum dos soldados feridos do 3º Regimento da Cavalaria Blindada corria risco de vida, segundo o capitão Frank Rosenblatt. O incidente ocorreu enquanto o presidente dos EUA, George W. Bush, preparava-se para fazer um discurso ao público americano anunciando que os grandes combates no Iraque haviam terminado.

Os soldados dentro da antiga delegacia de polícia dispararam contra homens vistos fugindo do local, mas nenhum foi capturado ou ferido, disse Rosenblatt, cuja 82ª Divisão Aerotransportada está entregando o controle de Faluja para o 3º Regimento da Cavalaria Blindada.

Os atacantes não foram identificados, disse em Bagdá, o general de brigada Dan Hahn.

O ataque ocorreu à 1 da madrugada (horário local), cerca de 12 horas depois que soldados na delegacia e em um comboio do Exército dispararam contra uma multidão que fazia um protesto antiamericano, matando dois iraquianos e ferindo 18, segundo fontes hospitalares. Oficiais dos EUA alegam que os soldados atiraram depois que dispararam contra eles do meio da multidão.

A manifestação da última quarta-feira (30) era para protestar contra disparos feitos por soldados dos EUA na noite de segunda-feira contra uma multidão. Dezesseis iraquianos morreram e mais de 50 ficaram feridos, segundo fontes hospitalares. Os soldados dos EUA afirmam que eles foram atacados primeiro a tiros.

Moradores de Faluja relataram ter ouvido parentes das vítimas prometendo vingança.

Os residentes de Faluja dizem querer que as tropas americanas deixem a cidade de 200.000 habitantes localizada a 50 km a oeste de Bagdá.

Hahn afirmou ter sólidas informações de inteligência dando conta que os “maus atores” da cidade eram membros do ex-governista Partido Baath, que estariam usando a multidão como cobertura para suas ações. Ele adiantou que no futuro outras medidas para controle de distúrbios, como gás lacrimogêneo, podem ser usadas para dispersar manifestantes violentos.