Servidores se revoltam com corte de altos salários

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Publicado sexta-feira, 16 de maio de 2003 as 18:34, por: cdb

O governador Ronaldo Lessa (PSB) cortou parte dos vencimentos de procuradores, delegados e fiscais de renda, a pretexto de adequar os salários dessas categorias ao teto salarial do Estado, fixado em R$ 8,1 mil. O corte provocou revolta nas três categorias, que realizam assembléia conjunta na próxima segunda-feira, com ameaça de paralisação.

Segundo o presidente da Associação dos Procuradores do Estado, Omar Coelho de Melo, a atitude do governador, “além de ditatorial, coloca o Estado à margem da lei”.

Os cortes nos vencimentos variam de acordo com o tempo de serviço dos servidores dessas três categorias e, em alguns casos, chegam até 40% do vencimento líquido. O governo alega que o corte foi feito para que o teto seja respeitado.

A Associação pediu a prisão do secretário estadual de Administração, Valter Oliveira, responsável pela folha de pagamento do Estado, uma vez que o juiz da Vara da Fazenda Pública, Ney Alcântara, determinou que o Estado pague os procuradores um salário de R$ 9,2 mil, acima do teto salarial do Estado. Mesmo assim, Lessa disse que não volta atrás

Segundo Omar Coelho, a Associação tomou essa decisão porque o secretário se nega a cumprir determinação judicial. “O nosso salário aumentou com base numa lei do próprio governo, aprovada no ano passado, que agora o governador se nega a cumprir”, afirmou.

“Os altos salários dessas categorias são uma afronta à realidade do Estado”, disse Lessa. O governador disse também se a Justiça decretar a prisão do secretário, a polícia não irá cumprir essa ordem. “A minha polícia não vai prender o meu secretário por esse motivo”, afirmou Lessa, acrescentando que a situação de Alagoas que detém os piores indicadores sociais do país e não permite o pagamento de altos salários. O salário bruto do governador é R$ 8 mil.