Servidores federais farão campanha contra reforma da Previdência

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Publicado terça-feira, 13 de maio de 2003 as 13:56, por: cdb

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofre quarta e quinta-feira a primeira série de protestos contra a reforma da Previdência desde a entrega da proposta ao Congresso, há duas semanas. As manifestações serão comandadas por sindicatos de peso do funcionalismo público federal dos Três Poderes, a maioria ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), e devem ser acompanhadas por movimentos sindicais de servidores municipais e estaduais.

Prometem paralisar suas atividades os funcionários públicos federais ligados ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra), do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), entre outros.

A decisão de realizar dois dias de mobilização política contra a reforma foi definida em reunião plenária da Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais (Cnesf), no último sábado.

Segundo o tesoureiro do Andes, Antônio Luiz de Andrade, a base de funcionários públicos federais em todo o País envolvidos na manifestação é de 700 mil a 800 mil pessoas, já que apenas uma parte dos trabalhadores do Poder Legislativo participará dos protestos.

– Somente na sexta-feira à tarde teremos condições de avaliar qual a participação efetiva dos trabalhadores federais, estaduais e municipais na mobilização – afirma.

Os principais pontos de insatisfação dos servidores na reforma previdenciária são o estabelecimento de teto de aposentadoria, a idade mínima para se aposentar e a cobrança de inativos.

– Queremos discutir também os rombos nas contas de securidade de todo o País, como em São Paulo, onde o governo usou recursos da ordem de R$ 60 bilhões do Instituto de Pensões do Estado de São Paulo (Ipesp) e não os devolveu – explica. – Queremos uma auditoria, uma devassa, em todas as contas de securidade do País – complementa.

Andrade lembra ainda que “outro ponto de tensionamento” dos manifestantes é o “arroxo salarial” enfrentado pelo funcionalismo público.

– Desde 1994 não sabemos o que é reajuste salarial. Alguns setores, considerados estratégicos pelo governo, tiveram alguns mecanismos de compensação e política salarial, mas a maioria dos servidores não recebeu nenhum reajuste, apenas algumas parcas gratificações – aponta.

Segundo ele, as estimativas iniciais dos coordenadores do Cnesf dão conta que parte dos servidores do Poder Judiciário dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Mato Grosso paralisarão suas atividades nos dois dias de mobilização.

– Os servidores municipais e estaduais também estão aderindo à orientação política federal – comentou.

Apenas no setor de ensino federal, comandado pelo Andes, Andrade afirma que a base de trabalhadores envolve de 150 mil a 200 mil trabalhadores, distribuídos em universidades, centros tecnológicos, escolas técnicas de ensino médio e superior e escolas de primeiro e segundo graus.

– Ainda não é possível estimar qual será o nível de adesão à paralisação – assegura.