Sérvia: Último dia de campanha para as eleições parlamentares

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Publicado quinta-feira, 25 de dezembro de 2003 as 11:13, por: cdb

A Sérvia vive nesta quinta-feira, o último dia de campanha para as eleições parlamentares antecipadas do próximo domingo, que acontecerão após três anos de transição democrática depois da queda do regime de Slobodan Milosevic.

Segundo a lei, a partir da meia-noite de hoje até o fechamento das urnas, às 19.00 GMT (17.00 Brasília) de domingo, está proibida qualquer propaganda eleitoral.

No total, 19 partidos e coalizões competem nestas eleições, consideradas uma difícil prova para as forças reformistas que se uniram em 2000 com o objetivo de derrubar Milosevic depois de mais de uma década de seu autoritário governo na Sérvia e na Iugoslávia (atual Sérvia e Montenegro).

Milosevic foi derrotado em setembro desse ano por Vojislav Kostunica, candidato da ampla coalizão Oposição Democrática da Sérvia (DOS), na eleição presidencial iugoslava.

Três meses mais tarde, a DOS ganhou nas legislativas antecipadas da Sérvia ao obter 64,08 por cento dos votos, com o que alcançou o controle de 176 das 250 cadeiras do Parlamento.

O Partido Socialista da Sérvia (SPS, de Milosevic) obteve então 13,76 por cento dos votos (37 cadeiras); seu aliado no poder, o ultra-nacionalista Partido Radical da Sérvia (SRS), 8,59 por cento (23 cadeiras), e o também “ultra” Partido da Unidade Sérvia (SSJ), 5,33 por cento (14 cadeiras).

Os últimos três anos de transição foram marcados em grande parte pelas desavenças entre os integrantes da DOS, que surgiram em meados de 2001 e culminaram com sua decomposição definitiva no mês passado, poucos dias depois da convocação das novas eleições parlamentares antecipadas.

Os ex-membros da DOS se apresentam agora em 12 legendas, mas considera-se que têm assegurada a entrada na nova Câmara apenas seus antigos pilares: o Partido Democrático da Sérvia (DSS) de Kostunica, o Partido Democrático (DS) do primeiro-ministro em fim de mandato, Zoran Zivkovic, e o partido de economistas G17 Adicional.

Segundo várias pesquisas, o SRS será o vencedor da eleição de domingo, com 23 por cento dos votos, mas os analistas estimam que é pouco provável que este partido consiga formar o Governo por falta de aliados que assegurem o controle da maioria parlamentar.

O SPS, que é considerado “aliado natural” dos “radicais” mas que sofreu uma grave crise interna e deserções depois da extradição de Milosevic em junho de 2001 ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, de Haia, alcançará cerca de 7 por cento dos votos, segundo as mesmas fontes.

Algumas enquetes projetam a vitória relativa do DSS, que há um ano e meio se tornou o principal partido da oposição, depois de ser expulso da DOS, e que acredita conseguir formar a nova coalizão governante com outros partidos reformistas.

O SRS entrou na campanha alentado pela vitória de seu candidato, Tomislav Nikolic, nas eleições presidenciais de novembro passado, apesar da consulta, boicotada pelo DSS e pelo G17 Adicional, ter sido cancelada por causa da baixa participação, que não superou o limite mínimo de 50 por cento do eleitorado.

Há um ano fracassaram pela mesma causa outras duas tentativas de eleição do novo presidente da Sérvia, realizadas ante o vencimento do mandato do socialista Milan Milutinovic.

Nas duas eleições, que em maior e menor medida foram boicotadas pela DOS, o vencedor frustrado foi Kostunica.

Diferente das eleições presidenciais, nenhum partido de certo relevo irá boicotar as parlamentares de domingo e a validade da consulta não depende da porcentagem de participação.

Os analistas estimam, no entanto, que um baixo comparecimeto às urnas beneficiaria o SRS, porque seus seguidores se caracterizam por uma elevada disciplina de voto, enquanto a maioria dos que se abstêm são partidários, em princípio, dos reformistas.

Diante das eleições de domingo, vários belgradenses que em 2000 apoiaram a DOS disseram à EFE que continuam considerando a possibilida