Sérvia escolhe futuro governo neste domingo

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Publicado sábado, 27 de dezembro de 2003 as 14:49, por: cdb

As eleições parlamentares antecipadas que ocorrem neste domingo na Sérvia apresentam-se como as mais incertas desde 1990: a única coisa que as pesquisas apontam de fato é que o futuro governo será formado por uma coalizão entre forças políticas.

Nesta eleição legislativa, a sexta desde a introdução em 1990 do pluripartidarismo na Sérvia, 6.511.450 cidadãos poderão ir às unras nos 8.589 locais de votação que ficarão abertos das 07.00 às 20.00 (04.00 às 17.00 de Brasília). Um total de 19 partidos participará das disputas.

Cerca de 180 observadores internacionais e aproximadamente 14.000 nacionais de organizações não-governamentais (ONGs) supervisionarão as eleições, cujos resultados definitivos serão divulgados no dia 1º de janeiro.

– Estas são as eleições mais incertas até agora – declarou à EFE o analista Nenad Stefanovic, que acredita que os partidos com mais chance de formar governo são os saídos da atual coalizão governista.

A Oposição Democrática da Sérvia (DOS), que em 2000 destituiu o ex-presidente Slobodan Milosevic, atualmente julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) por crimes de guerra, se desintegrou definitivamente em novembro passado, o que provocou a realização destas eleições, que ocorrem um ano antes do previsto.

Entre as formações que integravam a DOS, o Partido Democrático da Sérvia (DSS) de Vojislav Kostunica, o G17 Plus de Miroljub Labus e o Partido Democrático (DS) do assassinado primeiro-ministro Zoran Djindjic são os que aparentemente poderão conquistar mais cadeiras.

Segundo as últimas pesquisas, o DSS obterá em cerca de 18 por cento dos votos, enquanto o G17 Plus e o DS receberão aproximadamente 15 por cento das intenções de voto cada.

O Partido Socialista da Sérvia (SPS), de Milosevic, se enfraqueceu em relação às eleições de 2000, mas tudo indica que conseguirá passar da barreira dos 5 por cento de votos necessários para entrar no Parlamento.

As projeções mostram que o SPS conquistará entre 6,5 e 7,5 por cento dos votos, duas vezes menos que em 2000.

No entanto, as pesquisas também indicam que o partido mais forte na câmara sérvia será o ultra-nacionalista Radical Sérvio (SRS) de Vojislav Seselj, que também está sendo julgado pelo TPII por crimes de guerra.

O SRS terá entre 24 e 25 por cento dos votos, três vezes mais que os 8,59 por cento obtidos em 2000.

No entanto, tal formação dificilmente poderá formar um governo, já que todos os partidos surgidos da DOS descartaram durante sua campanha qualquer forma de aliança, cooperação ou apoio a um governo radical.

Também tem possibilidades de entrar no Parlamento a coalizão denominada Juntos pela Sérvia, liderada por Vuk Draskovic, um dos principais líderes opositores da era Milosevic, que tem pelo menos 7 por cento dos votos, segundo as pesquisas.

Espera-se uma presença de entre 55 e 58 por cento do eleitorado nas urnas.

– Isso significa que, até o final da contagem de votos, não se saberá que coalizões e partidos ultrapassaram a barreira para entrar no Parlamento – disse Stefanovic.