Serra colhe votos de evangélicos

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Publicado quinta-feira, 17 de outubro de 2002 as 21:14, por: cdb

Candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, ontem à tarde no Rio, o apoio de evangélicos de todo o país. De pé sobre a cadeira de uma churrascaria na Zona Norte da cidade, Lula indiretamente criticou o adversário José Serra, que tem buscado o voto dos religiosos.
– Eu sou um homem que crê em Deus, que durante muito tempo, quando perguntado em debates na televisão, em outras campanhas, era uma coisa sobre a qual eu evitava falar, porque sempre dizia: ‘A minha fé eu Deus é uma coisa minha com Deus’. Eu não preciso ficar provando a minha fé em Deus para adversário político ou na televisão. Não sou um político de duas caras, que diz uma coisa antes e outra depois – disse o candidato.
Lula também criticou o depoimento da atriz Regina Duarte na propaganda eleitoral gratuita do PSDB, no qual ela diz que tem medo de uma possível vitória do candidato petista. Aos evangélicos, Lula lembrou que a “teoria do medo faz lembrar Herodes, que quis matar as crianças com medo de Jesus Cristo”. Segundo o petista, “política não se faz com rancor, com ódio”.

– Política se faz dialogando, conversando, conhecendo o território e o chão que o povo pisa. A política do medo fez esse país, em 1989, preterir o Leonel Brizola, o Mário Covas, o Lula e outras pessoas de bem – afirmou, referindo-se à disputa presidencial que perdeu para Fernando Collor.
O candidato do PT teve seu discurso interrompido por palmas no momento em que citou “a desagregação da família brasileira”.

– A perversidade está entranhada em função da miséria, da desestruturação da família brasileira, até da própria religiosidade, que muitas vezes não é colocada em prática em muitos lugares do Brasil. A gente vê violência a cada dia, desespero e, quanto mais pobre o local, mais violência, mais desespero, exatamente porque não existe, da parte do Estado, nenhuma iniciativa de ter políticas públicas capazes de despertar na cabeça das pessoas a certeza, ou pelo menos a esperança, de construir um mundo muito melhor – disse.

No encontro com os evangélicos estavam presentes diversos pastores da Assembléia de Deus que não seguiram a decisão das duas principais convenções da igreja, a Convenção Nacional e a Convenção Geral, de apoiar o candidato José Serra. Representante do segmento que não se aliou ao candidato do governo, o pastor Silas Malafaya, da Convenção Geral das Assembléias de Deus garantiu que “ninguém pode falar em nome da nossa Assembléia de Deus. No máximo, falam em seus próprios nomes”.

Em um momento polêmico do evento, o senador do PL Magno Malta, eleito pelo Espírito Santo, referiu-se ao projeto que trata da possibilidade de união civil entre homossexuais, um dos pontos mais delicados da aliança entre os evangélicos e o PT.

– O projeto é da Marta Suplicy, mas o relator do projeto, que também é do PT, é contra. Na realidade, isso não é um problema do presidente da República, é do Congresso. Apresentar este projeto é um direito que assiste à Marta. Mas saibam que a bancada católica do PT também é contra – afirmou Malta.