Serra, a Privataria Tucana e O Senhor dos Anéis

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Publicado sábado, 20 de outubro de 2012 as 06:03, por: cdb

Nos últimos dias tem circulado nas redes sociais inúmeras paródias relacionando o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, ao personagem Gollum, da triologia O Senhor dos Anéis. A irônica comparação começou depois que Serra, assim como o personagem que não sabe se é Gollum (mau) ou Sméagol (bom), passou a se contradizer sobre sua trajetória política e as suas propostas de campanha.

Por Carla Santos

Com tantas semelhanças com Gollum, até o título da obra de Tolkien mudou de O Senhor dos Anéis para O Senhor do Rouboanel, em uma clara referência à denúncia, divulgada pela revista IstoÉ, que revelou o propinoduto nas obras do Rodoanel, em São Paulo, para financiar a campanha presidencial de José Serra em 2010.

Na trama fantástica de O Senhor dos Anéis, inspirada nos romances do professor e filólogo britânico J.R.R. Tolkien, Sméagol era mais um da raça dos Grados e vivia nos Campos de Lis. No dia do seu aniversário, ele foi pescar com seu primo e acabou achando um anel mágico que incitava os piores sentimentos em que o possuia.

Logo após achar o anel, Sméagol mata seu primo e é expulso dos Campos de Lis pela sua própria família. Ele acabou por refugiar-se nas Montanhas Sombrias, onde passou a ser chamado de Gollum, por causa do som involuntário que fazia com sua garganta. Desde então, o personagem passa a viver um dilema sobre quem ele realmente é: o bom Sméagol, que vivia em comunhão com os seus, ou o assassino Gollum, solitário e sombrio.

Tupi or not tupi

Em 2004, o candidato tucano assinou um termo decompromisso dizendo que se fosse eleito prefeito de São Paulo cumpriria o mandato até o fim. No entanto, passado o pleito e conquistada a vitória, o candidato renunciou à prefeitura para disputar as eleições de 2008 para o governo do estado. Serra é eleito e, mais uma vez, renuncia o mandato de governador para disputar as eleições presidenciais de 2010.

Durante a campanha muncipal deste ano, Serra criticou a cartilha anti-homofobia, mais conhecida como ‘kit gay’, proposta pelo candidato adversário Fernando Haddad (PT), quando este era ministro da Educação. No entanto, quando era governador de São Paulo, Serra enviou às escolas cartilha semelhante a de Haddad, além de recomendar, pelos menos, dois filmes idênticos aos apresentados por Haddad às escolas.

Estes são apenas alguns dos muitos episódios que marcam a campanha contraditória do candidato tucano. Entre outras discrepâncias está a condenação do chamado ‘mensalão’ petista e o silêncio absoluto sobre a privataria tucana – título do livro de Amauri Ribeiro Jr. que revela o esquema do PSDB para desviar milhões de reais durante o processo de privatizações levado a cabo pelos governos de FHC – entre outras muitas denúncias de corrupção sem investigação alguma até agora.

Chutando aliados

Até mesmo o PIG (Partido da Imprensa Golpista), que sempre esteve do lado tucano, não sabe mais como lidar com os disparates de Serra. Apenas nesta semana, o candidato tucano chamou um jornalista de mentiroso na CBN e mandou outra jornalista da UOL “fazer campanha para o Haddad”.

Como já era de se esperar, os internautas não perdoaram tantos tropeços e as comparações entre Gollum e Serra só cresceram nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook.

O resultado do desespero tucano também aumentou a rejeição, que já grande antes do segundo turno, ao candidato José Serra. A pesquisa Ibope desta quarta-feira (17) apresentou Haddad com 49% das intenções de voto, contra 33% de Serra.

Porém, longe de antecipar a comemoração sobre uma possível vitória de Haddad, paira no ar um clima tenso. Não é de hoje que a baixaria é uma marca das campanha tucanas. Quem sabe o que Serra ainda será capaz de fazer para não perder seu mais “precisoso anel”: a Prefeitura de SP?

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