Seqüestro em escola russa termina em tragédia

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Publicado sexta-feira, 3 de setembro de 2004 as 10:31, por: cdb

Após a entrada de forças especiais russas, nesta sexta-feira, na escola onde rebeldes mantinham centenas de reféns até 100 corpos foram vistos dentro de um ginásio esportivo, afirmou o canal britânico ITV. O repórter Julian Manyon disse que seu cinegrafista entrou no local brevemente e viu os corpos. Manyon declarou que “havia um grande número de corpos no chão”. Segundo ele, parecia que explosivos colocados pelos agressores haviam sido detonados.

Forças de segurança russas cercaram uma casa para onde atiradores se dirigiram depois de fugir da escola em que fizeram centenas de pessoas reféns. O Exército estava enfrentando os agressores, que fugiram para a casa no sul da cidade de Beslan. Cerca de 200 reféns foram levados para hospitais locais, de acordo com a Tass. As tropas invadiram a escola, houve tiroteio e explosões.

Há informações de que centenas de pessoas foram mortas, entre elas muitos reféns. Até o início da manhã, sete pessoas haviam chegado mortas em hospitais.

A agência disse que as tropas russas estão em “controle total” do prédio e citou uma autoridade que teria afirmado que a maior parte dos reféns está viva. Soldados retiraram crianças da escola, algumas cobertas em sangue, enquanto helicópteros militares sobrevoavam o local.

A agência Interfax disse que, segundo autoridades, parte do telhado do colégio havia caído.
Autoridades disseram que cerca de 500 pessoas foram feitas reféns na escola na república da Ossétia do Norte, próxima à Chechênia, mas reféns soltos afirmaram que o número poderia chegar a 1.500. As crianças libertadas, algumas delas praticamente nuas, consumiam grandes quantidades de água, após dois dias sem nada para beber.

Ainda não está claro o que iniciou o confronto nesta sexta-feira, poucas horas depois de a Rússia insistir que não usaria força para libertar as crianças, pais e professores presos por 53 horas sem comida nem água.

A batalha parece ter começado após autoridades terem dito que um veículo foi mandado para a escola para buscar corpos. Notícias de diversos meios apontam que a isso se seguiu uma tentativa de saída dos reféns ou dos rebeldes. Alexander Dzasokhov, presidente da Ossétia do Norte, disse que cerca de 40 atiradores mascarados exigiam a independência da Chechênia.

O incidente na escola é o mais recente de uma série de ataques violentos na Rússia nas últimas semanas – todos ligados a separatistas chechenos. Na semana passada, ataques suicidas contra dois aviões de passageiros mataram 90 pessoas no país. Nesta semana, uma mulher-bomba detonou explosivos no centro de Moscou, matando nove pessoas