Senadores se reúnem para definir votação da reforma da Previdência

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Publicado terça-feira, 25 de novembro de 2003 as 17:07, por: cdb

O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), criticou, a crise ainda existente entre o PMDB e os demais aliados do governo a poucas horas da votação, em primeiro turno, da reforma da Previdência pelo plenário do Senado.

— Na medida em que o PMDB entra na rota de colisão com o relator, Tião Viana, está armada a confusão para a votação de hoje (terça-feira) — disse. Agripino participa, neste momento, de reunião, na presidência do Senado, com os demais líderes dos partidos para acertar os detalhes e procedimentos para a votação desta terça-feira.

No plenário, os senadores contrários à reforma já se alternam na tribuna do Senado para criticar a reforma. O senador Mão Santa (PMDB-PI) invocou antigos peemedebistas contrários às alterações proposta pelo governo para que inspirem os demais senadores do partido a acompanha-lo no voto contra a reforma. “Essa PEC é perversa, estelionatária e criminosa”, resumiu Mão Santa.

A petista Heloísa Helena (AL) subiu à tribuna e fez um discurso em tom de despedida do partido. A senadora deve ser a única dissidência do partido do Partido dos Trabalhadores na votação da reforma, já que todos os líderes dão como certo o voto favorável de Paulo Paim (PT-RS).

Em seu discurso, Heloísa criticou vários pontos da reforma, sobretudo, a inexistência de regras de transição para os servidores se adaptarem ao novo modelo proposto. “Não consigo entender como alguém pode defender que um trabalhador que ganha R$ 300,00 a R$ 400,00 tenha que trabalhar mais cinco anos para não sofrer um corte de até 35% da sua aposentadoria. Será que alguém vai continuar dizendo que isso é justo?”, questionou.

Heloísa Helena chorou ao lembrar que corre o risco de ser expulsa do PT por conta de seu posicionamento. Apesar disso, ela garantiu que prefere a expulsão a ter que jogar fora toda sua trajetória política.

— Este é um dos momentos mais difíceis da minha vida. Choro porque dediquei anos da minha vida ao PT e não me arrependo de ter feito isso. Defendo o que aprendi no PT, mas acho que hoje existe um grande abismo entre o passado e o presente. Apesar de tudo o que possa significar meu voto, estou com a consciência tranqüila. Mais vale o coração partido que a alma ferida. Podem me tirar a legenda, mas minhas convicções não têm preço — declarou a senadora.